Capítulo 37 – Regalo

Capítulo 37 – Regalo

 

Aquela noite de surpresas visuais para Theo estava mal começando, ao despir sua namorada, pela primeira vez com o acompanhamento atento da visão, algo forte eclodiu em seu corpo. Suas veias queimavam por dentro, seu desejo nunca fora tão urgente.

– Vem para a cama comigo? – Theo a convidou, ainda de joelhos em frente a
Sam que recuperava o fôlego.

– Ãhn? Vou.

Theo ergueu-se do chão e Sam a prendeu pela cintura, a jogando sobre a cama, tirando a camiseta dela enquanto explorava seu pescoço. Algum tempo depois, Sam correu a mão para entre as pernas de Theo, que a segurou.

– O que foi? – Sam perguntou confusa.

– Deixa eu fazer em você de novo.

– Por que?

– Porque quero ver você dessa vez.

O sorriso de Sam foi o consentimento, girou para baixo de Theo, algo raro, o inverso era o comum.

– Ok, sou inteiramente sua.

Theo sentou-se sobre seu quadril, as mãos passeavam pelo corpo de Sam como extensões da visão, os dedos envolveram seu seio gentilmente, o polegar o acariciava, ver seus próprios movimentos, ver o contato com o corpo dela, tudo a exultava.

Sentada, Theo trouxe Sam para também sentar e encaixar seus quadris, frente a frente, decifrando seus trejeitos recém conhecidos. O jogo pertencia à jovem herdeira, Theo gostava de provocar, de fazer Sam pedir, implorar com o corpo ou com a voz num tom quase rouco e baixo.

– O que você quer? – Theo perguntou baixinho em seu ouvido, interpretando os gemidos crescentes, causados principalmente por seus dedos ativos.

– Você sabe… – Respondeu de olhos fechados.

Theo soltou sua mão.

– Não, não… Volte lá. – Sam pediu, agora de olhos abertos. Theo se divertia com a observação.

Ela voltou, o corpo tremeu com o novo toque.

– Eu quero ‘ver’ você pedindo. – Theo disse com ênfase no segundo verbo, e afastou seu rosto para enxergá-la.

Sam segurou avidamente seu rosto com ambas as mãos, e pediu.

– Eu quero você dentro de mim. – Disse de maneira firme.

Theo sorriu com uma alegria maliciosa.

– Você é uma delícia.

Na sincronia dos dedos que invadiam e com o polegar que estimulava, Sam estava prestes a cruzar a linha de chegada. Theo queria o maior espetáculo possível, não hesitou em deslizar um dedo para trás, pegando Sam de surpresa.

Deu certo, e Theo pode contemplar com grande regozijo um orgasmo forte de sua namorada, considerou aquelas umas das melhores visões de sua vida.

Como nos tempos de estrada, uma libido arrebatadora fez com que o casal atravessasse a noite fazendo amor. Com o sol nascendo, Sam a segurou num abraço em seu peito, e seguindo a dica recebida de Letícia, afagava sua orelha. Theo finalmente adormeceu.

Por volta das onze horas, acordaram com o comunicador de Sam tocando no banheiro.

– Bom dia, Claire. – Sam atendeu sentada no vaso, esfregando os olhos.

– Bom dia! Você está bem? Sua voz está diferente.

– Eu acordei agora.

– Agora? Mas já é quase meio-dia.

– Eu sei. Aconteceu algo aí?

– Na verdade tem mil coisas acontecendo, a auditoria está me deixando louca, preciso de você para me ajudar a apagar os incêndios, você não aparece aqui há dias.

– Claire… – Sam suspirou com sono. – Você sabe porque não tenho ido.

– Por causa da cirurgia de Theo? Mas ela não está bem?

– Está ótima, é por isso que continuo não saindo de casa, eu estou curtindo essa nova fase.

– Ela não quer que você saia de casa?

– Por mim eu fico grudada nela o dia todo. – Sam riu.

– Você que sabe, tem um monte de coisas importantes acontecendo por aqui, você vai ficar atrasada, mas tudo bem, eu repasso quando você vier.

– Continue me repassando remotamente, eu ajudo no que for possível por aqui.

Silêncio.

– Então não vem hoje?

– Acho que não.

– Estou com saudades de trabalhar com você. – Claire falava num tom carinhoso.

– Então apareça, podemos trabalhar um pouco aqui no escritório.

– Theo não parece gostar da minha presença.

– É impressão sua, ela não liga para essas coisas.

– Tente vir, ok? – Claire insistiu.

– Em breve, prometo.

Sam desligou a chamada, e lavou o rosto.

– Claire carrapato? – Theo perguntou ainda deitada, cobrindo os seios com o edredom branco.

– Claire, com saudades. – Sam disse após enxugar o rosto em frente à pia.

– Ela está ficando chata com essa paixonite por você, eu achava divertido no início, não acho mais graça agora.

– Não é paixonite, ela também sente falta da minha ajuda na Archer.

– Sam, você está afastada da empresa há três dias, não três meses, nem três anos.

– Essa semana a Archer está passando por várias auditorias, ela está louca lá sozinha, pediu ajuda. – Sam falava de dentro do banheiro.

– Me desculpe o egoísmo, mas não gostaria que você fosse trabalhar hoje, eu ainda estou curtindo essa coisa de enxergar você, queria você por aqui.

Sam saiu do banheiro e sentou-se na cama, de frente para Theo.

– Não pretendo sair de perto de você tão cedo, eu também estou curtindo essa coisa de você enxergar. – Sam lhe entregou um sorriso.

Theo sorriu de volta, e ergueu o edredom.

– Volte para a cama. E para mim.

Sem pestanejar, Sam cobriu o corpo nu da namorada, ficando por cima dela, Theo puxou o edredom sobre ambas.

– Perfeito. – Theo a buscou para um beijo.

– O que é perfeito? –  Sam murmurou ainda com seus lábios próximos.

– Isso. – Theo correu as costas dos dedos pelo rosto dela, a encarando. – Ver você de pertinho.

– Ainda estou me acostumando com seus olhos em cima de mim.

– E eu ainda estou contando as cores dos seus olhos, são infinitos tons de verdes e marrons, alinhados como numa pintura abstrata, é tudo tão harmônico.

– Eu estou contando seus tons de azuis há quase um ano, e ainda não cheguei nem na metade, então boa sorte.

– Você sabe que não vai sair dessa cama tão cedo, não sabe?

– E quando sentirmos fome? Além dessa fome… – Sam perguntou enquanto beijava seu pescoço.

– Tem soro intravenoso na gaveta. – Theo subiu suas mãos pelas costas dela, por baixo da camiseta vermelha.

– Acho que serve…

– Posso tirar sua camisa?

Sam ergueu-se.

– Vá em frente.

Pouco antes das duas da tarde, saíram finalmente da cama.

***

Uma semana depois.

– Eu já estive aqui com você. – Sam comentou, enquanto se dirigiam ao mirante em Morro de San Paolo, Baia.

– Sim, e com Igor.

– Não, depois disso, quando você estava em coma.

– Em seus sonhos?

– Algo assim. Mas foi real, foi bem real… Eu ainda lembro da sensação do toque da sua mão na minha.

– Chegamos. – Theo abriu um sorriso enorme ao avistar a imensidão azul a sua frente, com as mãos apoiadas na murada de madeira do mirante, seu vestido floral tremulava com a brisa, os cabelos estavam presos.

– E desta vez é pra valer. – Sam emparelhou-se ao seu lado, acompanhando a contemplação.

– Meu Deus, isso é surreal de tão bonito. – Theo via aquele mar pela primeira vez.

– Eu tinha razão?

Theo despertou do transe fascinada, viu a mão de Sam no parapeito e pousou a sua por cima, a encarando.

– Meus olhos já não são inefáveis. – Theo concordou. – Mas essas cores… Esse mar é inefável.

– Essa ilha é encantadora, mas eu amo esse lugar por sua causa, eu quero poder voltar aqui tantas outras vezes forem possíveis, com você. – Sua blusa branca larga também tremulava de leve, deixava um ombro a mostra. – E seus olhos estão ainda mais bonitos sob o sol.

– Pois voltaremos aqui. Sempre que quisermos celebrar nosso amor, nós voltaremos para cá.

– Theo… Olha o que você faz comigo. – Sam enxugava os olhos.

– Eu gosto do seu lado manteiga derretida. – Theo riu.

– Você está tão linda… Nesse lugar incrível… Eu sou uma pessoa de sorte.

Theo a abraçou carinhosamente, afagando sua nuca e seus cabelos soltos.

– A sorte é toda minha… – Theo sussurrou perto de seu ouvido. – Que nosso amor continue intenso como esse mar, e leve como essa brisa que está te despenteando.

Sam riu e a envolveu ainda mais forte.

– Mas pare de chorar, ok? – Theo desprendeu-se, enxugando seu rosto com os polegares.

– É mais um sonho realizado, eu achei que morreria sem conseguir voltar aqui com você. Depois achei que você morreria e eu voltaria sozinha. Enfim… Aqui estamos, juntas, e com você enxergando.

– Sam, você me disse que gostaria de ter feito uma coisa, quando estivemos aqui com Igor, mas não fez porque estávamos brigadas. Você lembra?

– Lembro. – Sam disse em meio a um sorriso aberto, a enlaçou pela cintura, e a beijou.

***

Caminharam numa pequena estrada de pedras, já dentro da pousada, cercadas por um jardim bem cuidado, com flores e arbustos. Subiram para seu quarto, mal largaram suas coisas e foram até a sacada de madeiras cruzadas, rústica como o restante do quarto

– Você reservou um quarto com vista para o paraíso. – Sam comentou, deslumbrada com o mar tão próximo e cristalino.

Theo largou a muleta e aproximou-se devagar, a abraçando por trás.

– Gostou? – Perguntou com os lábios beijando sua orelha. – Escolhi esse lugar a dedo.

– Eu acho que vou dormir nessa varanda. – Sam se deleitava com os beijos no pescoço e orelha. – Essa pousada é linda, parece um pequeno resort, porém aconchegante.

– Não é um grande hotel, nem um resort de luxo, mas tem a vista mais bonita, e me pareceu tão gostosa nos vídeos e fotos que vi.

– Você escolheu a mais especial. – Sam sorriu encantada.

– Que bom que gostou, porque ela é sua.

– Ela quem?

– Essa pousada. É seu presente de aniversário.

Sam virou-se, a encarando com confusão.

– A pousada inteira? Para sempre?

– Sim, já está no seu nome, depois você precisa assinar algumas coisinhas. Gostou?

– As pessoas dão de presente flores, bichos de pelúcia, perfumes, essas coisas.

– Eu gosto do diferente. Mas eu realmente espero que tenha gostado, porque eles não aceitam devolução.

– Eu amei! Mas uma pousada? É loucura!

– E nossa relação não foi insana desde o início? Nada é convencional para nós.

– Obrigada, amor. – Sam a beijou com ternura, tendo como plano de fundo um mar calmo e azul claro.

– Agora temos mais um motivo para voltarmos para essa praia. – Theo disse após o beijo.

– Que acha de passarmos o réveillon aqui?

– Eu acho uma excelente ideia, vou ligar para a dona da pousada para perguntar se tem vaga para o final do ano. – Zombou.

– O primeiro decreto que despacho como proprietária empossada é que esse quarto não será de mais ninguém, esse quarto será apenas nosso.

– Você é uma exímia administradora, fechou a suíte mais cara do hotel. – Theo riu.

– Vou instalar apoios nos banheiros e um armário climatizado para seus remédios.

– Vai ser uma extensão de nossa casa?

– Sim, nosso refúgio.

– Nosso refúgio. – Theo sorriu. – Gostei da ideia.

– Esse lugar fez parte da nossa jornada na busca pelo coração, uma parte importante da jornada.

– Eu sei, depois de descansarmos quero te mostrar uma coisa.

– O que?

– Que menina curiosa… – Theo a puxou para um beijo. – Temos três dias aqui, três dias inteirinhos para nós.

***

No meio da tarde, caminharam até um local onde haviam barcos de pequeno porte ancorados, na praia ao lado.

– Está vendo aquele barco lá? – Theo apontou para uma lancha moderna e esportiva, mas não muito grande.

– Qual?

– Aquele branco com duas faixas azuis.

– Estou.

– Venha comigo, vamos subir nele.

– E podemos?

– É nosso. – Theo a trouxe pela mão para dentro do mar, usava biquíni com uma camiseta por cima e boné azul marinho, Sam também estava de biquíni, mas trajava um short.

– Theo, cuidado, vá devagar nesse mar.

– Estou sem a muleta, estou bem devagar.

– O barco não está longe de mais?

– Não, o mar aqui é diferente do de Ilhabela, aqui é calmo e raso, não tenha medo.

– Não se afogue, ok?

– Fique tranquila, tem seguranças de olho na gente lá na areia.

Com o mar calmo batendo na altura de suas cinturas, finalmente chegaram ao barco.

Sam sorriu emocionada ao ler o nome do barco.

– Capitão Igor.

– Acho que ele iria gostar desse barco. – Theo respondeu, também com um sorriso satisfeito.

– E da homenagem.

– Suba, e depois me ajude a subir.

Já dentro, debaixo de uma cobertura retrátil, Theo se aproximou dos controles, sentando no banco do motorista e ajeitando seus óculos de sol.

– Você sabe dirigir?

– Eu dirigia coisas bem maiores em Ilhabela.

– É seguro? Apenas nós duas aqui? E se acontecer alguma pane? Ou algum acidente e você cair no mar?

Theo percebeu a tensão de Sam, largou o painel e virou-se para ela, que já estava sentada ao lado, e tomou sua mão.

– Aquele incidente a caminho da Ilha das Peças no Rio assustou você, não foi?

– Você quase morreu afogada, vai ser difícil esquecer aquela noite no mar escuro.

Theo riu antes de falar.

– Eu não lembro de nada.

– Jogaram uma granada no barco, tudo explodiu e você sumiu no mar, eu e Igor mergulhamos te procurando por longos minutos, por desesperadores minutos. Quando te achamos tivemos que nadar carregando você até o litoral, nos revezamos, você estava desacordada, eu checava sua respiração o tempo todo, em meio às câimbras e à agua gelada.

– E veja só, sobrevivemos.

– Você teve uma parada na praia, te ressuscitamos.

– Não sabia dessa aventura toda…

– Foi horrível, Theo. Eu quase perdi você, aquela noite inteira foi horrível, terminou com a morte de Igor, foi pesado.

– E você levou um tiro na perna… Mas fique tranquila, eu vou pegar os coletes para nós, ok? E prometo que não irei longe, só vou dar uma voltinha, estou louca para pilotar algo. – Deu um beijo rápido e foi buscar os coletes na parte traseira da lancha.

Theo pilotou mar adentro, mas não muito distante, respeitaria a apreensão de Sam. Desligou o motor e desceu a âncora.

– Amor, abra aquele compartimento ali do lado, e traga o que encontrar. – Theo pediu.

Sam levantou e foi até uma tampa vertical, a abrindo.

– Tem um pote de metal.

– Traga até aqui. – Theo recostou-se na grade lateral da lancha.

– O que é?

– Não é um pote, é uma urna funerária.

– Igor? – Sam a olhou de cenho franzido.

– Eu contratei umas pessoas para buscarem os restos mortais dele na ilha, ele não poderia ficar lá, o lugar dele é no mar.

Sam encarou aquela urna metálica em suas mãos, pesarosa.

– Isso foi nobre da sua parte, amor.

– Foi justo.

Jogaram as cinzas nas ondulações das águas, silenciosamente, Sam fez uma pequena prece no final.

– Adeus marinheiro. – Sam despediu-se solenemente.

***

Voltaram para San Paolo três dias depois, foram surpreendidas à noite com a visita de Letícia e Daniela, as duas se casariam dentro de um mês, uns dias antes do Natal. Já planejavam isso há algum tempo, mas tiveram certeza que era o momento certo depois que Theo voltou a enxergar. Sam e Theo ficaram em polvorosa com o convite para serem madrinhas.

***

Era início de dezembro, naquela tarde Theo foi até a Archer fazer companhia para a namorada, mas as coisas estavam corridas demais, Sam e Claire se dedicavam aos números na mesa de reunião. Entediou-se e foi para a vazia e grande sala da presidência.

– Vai para casa? – Sam ergueu a cabeça e perguntou ao vê-la saindo.

– Vou jogar golfe na sala do meu pai, quando for embora passe lá para me buscar.

Caminhou devagar com sua muleta no braço esquerdo até a mesa, ligou o sistema de som, colocando música clássica num volume baixo. Largou a muleta no sofá e escolheu um dos tacos de forma atenta. Dava sua décima tacada de forma compenetrada quando a porta se abriu, e um belo homem entrou com passadas lentas, a fitando.

– Pois não? – Theo perguntou, e endireitou sua postura.

Mas ele nada respondeu. Parou no meio da sala e deu uma boa olhada ao redor.

– O senhor procura alguém? – Theo voltou a perguntar.

Ele parou de correr os olhos pela sala e voltou a fitar Theo, com um leve sorriso.

– Acho que você errou de sala, posso chamar alguém para ajudá-lo? – Theo disse solicitamente.

O forte homem abriu um sorriso, balançando a cabeça.

– Eu sabia que você não me reconheceria, você não é muito inteligente. – Zombou.

– Mike. – Theo reconheceu a voz, e sentiu um frio subindo em seu corpo, segurou com força seu taco na mão direita.

– Finalmente você está me conhecendo.

– Você sabe que não pode estar aqui, há uma restrição cautelar. – Theo olhou na direção da mesa, onde havia um botão de emergência sob o tampo.

– Você quer apertar esse botão? – Mike foi até lá e apontou para o botão, recostou-se na mesa.

– Eu vou chamar os seguranças.

– Gritando? Não vai adiantar. – Mike começou a andar na direção dela, que estava em pânico. – Só vim visitar você, queria que você me conhecesse, que soubesse qual será a face da sua derrota, o rosto de quem vai destruir você, e deixar você mais miserável do que quando estava no Circus.

– Não se aproxime. – Theo ergueu o taco metálico.

– Vai me bater com isso? – Mike riu. – Pode tentar, mas não vim para brigar, estou de mãos limpas.

– Veio fazer ameaças? De novo? Você não cansa, não?

– Eu prometo que ainda no ano de 2121 irei tirar esse seu sorriso soberbo do seu rostinho, aproveite bem seus últimos dias ao lado da minha noiva.

Mike deu mais um passo, ficando a menos de dois metros dela, Theo voltou a erguer o taco.

– Saia daqui, agora!

– Tente me acertar. – Mike abriu os braços.

Theo deu um golpe na direção dele, passando no vazio, Mike arrancou o taco das mãos dela.

– Sua prostituta estúpida, eu poderia matar você com minhas próprias mãos agora.

– Seria a única forma de impedir que eu continue com sua ex-noiva, já que você falhou de todas as outras formas, seu soldado incompentente de merda.

Ele ergueu o taco e bateu contra a janela atrás dela, estilhaçando o vidro e a assustando.

– Foi por essa janela que seu pai atirou sua mãe? – Ele perguntou com sarcasmo.

– Faça o que quiser comigo, mas não fale da minha mãe.

– Foi por essa janela?

Mike voou para cima dela, a estrangulando com ambas as mãos contra a janela quebrada. Theo lutava tentando afastar as mãos de seu pescoço, sem nenhum sucesso, sentia as mãos pesadas apertando sua garganta, a janela pressionando suas costas.

– Você vai morrer antes de chegar lá embaixo. – Mike proferiu com raiva.

A porta se abriu, e um grito foi ouvido.

– Mike! – Sam correu na direção dos dois.

O ex-major a soltou de imediato, virando-se na direção de Sam. Theo caiu de joelhos com as mãos em sua garganta, buscando ar desesperadamente.

– Pronto, já soltei sua namoradinha. – Mike disse erguendo as mãos.

Sam correu e ajoelhou-se a frente de Theo, tentando de forma afoita ver como ela estava.

– Recado dado, foi bom te ver, Sam. Theo voltará a me ver em breve. – Mike disse e caminhou para a porta.

– Você violou a restrição judicial! – Sam bradou e correu para a mesa, para o botão de emergência.

Mike antecipou-se, correu até lá impedindo que ela apertasse o botão, segurando seu braço.

– Me solte!

– Sam, você terá coragem de fazer isso comigo? – Mike a indagou.

– Você não deveria nem estar aqui! – Sam disse com raiva.

Mike a soltou, ajeitou sua camisa xadrez, passou a mão pelos cabelos, se recompondo.

– Você é refém das suas escolhas, Sam, um dia você se arrependerá mortalmente de ter escolhido ela.

Sam o viu saindo pela porta, foi até a mesa, apertando o botão. Andou apressadamente até Theo, que estava sentada no sofá, acompanhando tudo ainda com as mãos massageando o pescoço, onde haviam marcas vermelhas.

– Me deixe ver. – Sam sentou-se ao seu lado, tirando as mãos dela do pescoço.

– Eu estou bem. – Theo disse ainda com a voz trêmula e falhante. – Mas ele vai escapar.

Dois seguranças finalmente apareceram na sala, Sam foi até eles.

– Mike esteve aqui, ainda deve estar no prédio, saiam em busca dele e chamem a polícia, rápido.

– Quem?

– Meu ex-noivo, um homem alto, forte, camisa xadrez azul, vão logo!

Sam voltou até o sofá, tomou a mão de Theo e perguntou com preocupação.

– Ele fez mais alguma coisa com você?

– Me ameaçou, aquele desgraçado adora me ameaçar.

– Ameaçou matar você?

– Disse que iria me destruir, talvez me matar esteja incluído aí.

– Como ele entrou aqui? Com tanta segurança?

– Ele já foi funcionário da Archer, ele deve ter seus meios.

Minutos depois os seguranças retornaram de mãos vazias, Mike havia escapado.

***

Passado o susto com a aparição violenta de Mike, Sam viajou a trabalho na semana seguinte, dias antes do casamento de Letícia. Era o quarto e último dia em Cuba, voltariam para casa à noite, e os compromissos já estavam cumpridos.

Claire insistiu para que aproveitassem as últimas horas de sol na praia, que fazia parte do complexo do luxuoso hotel onde estavam, a reunião terminara mais cedo e já estavam de volta ao hotel.

– Eu não gosto de exibir minha perna em público, Claire. – Sam dizia contrariada, enquanto ajeitava sua mala.

– Podemos pegar um bangalô reservado, só para nós duas, você pode inclusive nadar em paz. O que acha?

– Não sei… – Sam estava de pé ao lado da cama, fitando a mala aberta.

– Vamos lá, esses últimos dias foram cansativos, várias reuniões, nós merecemos um pouquinho de descanso.

– Não trouxe trajes para isso.

– Tem uma loja no hotel, compramos.

Sam torceu a boca pensativa, e topou.

Uma hora depois as duas estavam em suas largas cadeiras de madeira, num local reservado, com um grande mar claro a frente.

– Foi uma ótima ideia, confesse. – Claire brincou, tomava um drinque cheio de guarda-chuvinhas.

– Esse lugar é bonito, Theo ia adorar.

– Mande umas fotos para ela depois.

– Hum, boa ideia, vou mandar uma foto. – Sam buscou o comunicador na bolsa ao lado.

– Mas não precisa ser agora, abstraia o mundo um pouquinho, depois você manda várias fotos.

Sam a ignorou, tirou algumas fotos do mar e do bangalô, e uma foto dela com Claire, enviando tudo para Theo.

– Ela deve estar na fisioterapia agora. – Sam disse olhando a tela, aguardando alguma resposta.

– Sim, mais tarde você conta a ela sobre esse pedacinho de paraíso.

– Pedacinho de luxo. Pedaço de paraíso é aquela praia na Baia que nós fomos.

– Eu não conheço, mas por tudo que você já falou desse lugar, estou curiosa para conhecer.

– Vá conhecer, e fique na minha pousada. – Sam riu.

– Farei questão de ficar lá, mas só vou se a proprietária estiver lá também.

Enquanto isso em San Paolo.

– Meg, veja isso. – Theo mostrou seu comunicador à enfermeira, que a ajudava a se exercitar no terceiro pavimento.

– Elas formam um belo casal. – Meg respondeu após ver as fotos.

– Meg! – Theo a repreendeu, a fazendo rir. – Você não ajuda falando isso.

– Estou mexendo com você, eu acho engraçado esse seu lado ‘estou com ciúmes mas vou bancar a descolada’.

– Eu fico feliz que Sam esteja se divertindo. – Theo disse fingindo indiferença, voltando a exercitar a perna esquerda no aparelho.

– Por que não liga para ela e diz isso?

– O que você está tentando, dona Meg?

– Você me disse que não confia totalmente em Sam.

– E?

– Acho que você ficaria mais tranquila depois de fazer xixi, para demarcação.

– Que?

– Você sempre foi ruim em detectar metáforas?

– Não, eu era boa nisso antes. – Theo respondeu meio desconcertada. – Mas você tem razão, e agora eu entendi a metáfora do xixi.

Enquanto isso em Cuba.

– Esse pedaço de mar à nossa frente é só nosso? – Sam perguntou para Claire.

– Sim, uma piscina natural, ao nosso dispor. Está pensando em entrar na água?

– Estou, está tão convidativo.

– Pule logo, menina. – Claire disse e pediu mais drinques na tela ao lado.

– Acho que vou. – Sam levantou da espreguiçadeira, tirou a canga que estava enrolada na cintura, foi até o deque, e pulou no mar calmo e represado.

O comunicador de Sam tocou logo em seguida, Claire olhou o nome de Theo na tela e o silenciou.

Levantou de sua cadeira, tirou o camisão branco que vestia, e também entrou no mar.

 

Regalo: s.m.: Prazer, satisfação. Presente, mimo, dádiva.

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comentários

Comments (2)

  1. Anex

    Primero lugar,adorei que colocou partes políticas, bem a ver c o momento actual
    Prefirió Michelle a Claire..en a boga sujooo…se faz de boazinha e se Theo entende metáfora, Sam é ingênua… tudo vai pelos Aires…
    Mike insuportável,ta tendo ajuda de dentro da Archer…será?
    A Archer vai quebrar feio,ele deixou claro isso…. mas Michelle vai ta ao,sera q Theo se separa de Sam pela mentira ou ficarão juntas?Ao menos tem a pousada RS.
    Beijosss

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    1. Schwinden (Post author)

      Eu sei que vocês (o trio parada dura) preferem as partes políticas e com conteúdo, eu vou atochar conteúdo não-romântico por 45 post its, e não quero ver ninguém reclamando “ah que saudade de um pouco de amorzinho”.
      Você acha que Michelle ou Claire vão conseguir fazer uma delas trair?
      Sobre a saúde da Archer, bom, ela continuará bem, porém…
      Bjos, e brigada!

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