PH Poem a Day – Dia 15 – O café

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Dia 15 – O café

Que acelerada essa menina, ela sempre reclamava

A pressa, dos ritmos era o seu mais lento

Avoada, esbaforida, ouvia duas ou três palavras

Viver na correria era seu intento

 

Corre pra casa, sua namorada chamava

Que essa noite você será alento

Mas na saída, um cafezinho preto a esperava

Queimou dedos e língua, estragou o evento

PH Poem a Day – Dia 13 – O marinheiro

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Dia 13 – O marinheiro

A grande nau cortava ondas ferozes numa tarde de mar tempestuoso, embalando marinheiros italianos que se aproximavam de casa, após meses de navegação no mar aberto. Os porões vazios, os bolsos cheios, e apenas almejavam deitar em suas camas com suas esposas.

– Estamos próximos da Ilha de Capri! Protejam seus ouvidos! – O honrado capitão alertou à todos, do alto da popa.

Mudaram sua rota para chegarem mais rápido em sua terra natal, mas desta forma passariam próximo aos rochedos da temível ilha conhecida pelas histórias de sereias, seres sedutores com cantos irresistíveis, que atraiam e matavam marinheiros que por ali passavam.

– E o senhor Capitão, por que não cobrirás seus ouvidos? – Perguntou um tripulante, já preparando os tampões para suas orelhas. – Pedirás que o amarrem ao mastro, como Homero fez em sua odisseia?

O sábio capitão desceu os degraus que o colocavam acima do convés, aproximou-se e disse em tom confessional:

– Não preciso, sou imune ao canto das sereias.

– Nenhum homem na terra ou nos mares resiste àquela sinfonia feminina e mortal, senhor. – O jovem tripulante respondeu.

– Garoto, coloque seus tampões e tome seu lugar, elas não me seduzem, sejam sereias ou mulheres de fato.

O jovem obedeceu suas ordens, mesmo contrariado e sem compreender o capitão, que caminhou de forma altiva até a proa, prostrando de pé, observando atentamente as pedras com sua luneta.

O barco movia-se lentamente, todos já estavam preparados para os cantos que não seriam ouvidos, mas também esperavam atentamente a imagem das belas mulheres, metade escamas, metade pele.

O capitão franziu as sobrancelhas, fitava boquiaberto às pedras à sua frente, o canto já podia ser ouvido.

– Raios! Raios! – Ele bradava, após atirar a luneta ao chão, com desespero. – Me tragam os tampões de ouvido! Rápido!

Mas era tarde demais, o capitão atirou-se ao mar, nadando na direção dos rochedos, onde tritões emitiam seu canto sedutor.

PH Poem a Day – Dia 12 – O som ao redor

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Dia 12 – O som ao redor

É difícil ser monstro nos dias de hoje. A concorrência com os humanos é desleal, estão mais violentos do que nunca, assustam muito mais do que nós.

Antigamente as criancinhas se assustavam a noite e corriam para o quarto dos pais, gritando que eu estava embaixo da cama, ou no armário. Agora gritam dizendo que tem ladrão em casa.

Eu não quero roubar nada, apenas apavorar esses protótipos humanos que chamam de crianças. Acabo assustando adultos às vezes também, por diversão. Sabe aquele barulho apavorante que você houve no quarto, que parece vir de baixo da cama, justamente quando está tudo escuro? Sou eu te sacaneando. Ou algum colega meu se divertindo.

Adoro ver pés para fora da cama, sempre dou um jeito de correr minhas unhas compridas por eles, os humanos acordam num salto, com a certeza que tem um inseto ou algo pior no quarto.

Com crianças eu prefiro o jogo do armário infernal, fico lá dentro por horas, até a criança chegar ao limite do medo, e começo a grunhir sons quase demoníacos, ruídos de pessoas sofrendo, lamúrias, todo tipo de som que destrua os nervos mirins.

Funcionou, não funcionou?

PH Poem a Day – Dia 11 – A fantasia

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Me segure como se eu fosse um peixe em fuga, me puxe como se eu estivesse resistindo, como se pesasse uma tonelada. Mas me empurre de volta, me derrube na cama com as mãos espalmadas em meu peito.

Eu te permito ir até onde a palavra de segurança permita, porque eu sei que você obedece. É a única ordem que minha domme obedece. Sunstone. E você vira estátua, me solta, desprende, desafivela, desenterra.

Ah se eu soubesse o que você sente quando tudo acaba, quando as cordas caem, o couro jaz ao lado da cama, o látex me despe e os ruídos abafados cessam. Quando restam apenas dois corpos nus, com marcas deveras prazerosas, os pulsos ainda vermelhos, o vermelho ainda pulsante.

Eu era sua, a sua dominada, a sub. Mas enquanto você dormia em meu peito eu sussurrei, sem me dar conta. “Minha Ally.” Eu já estava apaixonada, mergulhada num novo mundo, mas tão antigo para mim, tão almejado e desejado. Espera aí! Mas Ally é uma mulher!

Outro problema para lidar.

Você continuava me jogando de bruços na cama de argolas como numa atuação roteirizada, usando seu repertório de fantasias e acessórios. O mais estranho guarda-roupas de halloween já visto! Algum desavisado diria.

Mas eu queria mais, queria mais que seu couro, eu queria sua carne, seu coração e seu amor. Você zombaria de mim se eu dissesse que de todo esse espetáculo carmesim, é o seu beijo o golpe mais forte que aplicas?

(inspirado pela HQ Sunstone, do Stjepan Sejic – shiniez.deviantart.com)

PH Poem a Day – Dia 9 – A loucura

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Dia 9 – A loucura

Eu precisava chegar à algum lugar, tinha pressa, mas sequer sabia para onde ir. Ok, eu não me importava para onde estava indo.

E assim fui, pela floresta tão gigante, não, pela floresta tão pequenina, espera, pela floresta tão… Um jardim?

Um gato com sorriso reto e rabo inquieto me disse que qualquer caminho me levaria ao lugar algum que eu procurava.

Tudo bem um gato falante, mas… Um gato que sorri?

São todos loucos aqui, já estou me acostumando.

Ah não… Mais loucos à vista? Um homem com chapéu grande e espalhafatoso e uma lebre requintada.

Posso tomar chá com vocês? Perguntei. E o coelho me disse que não havia chá. Havia sim!

Joguei o relógio do chapeleiro dentro de uma xícara, para provar que haviam xícaras com chá.

Foi então que o coelho segurou meus braços contra minhas costas, o homem com chapéu engraçado segurou minhas pernas, e quando percebi, estava dentro do meu quarto novamente. Odeio esse hospício.