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Verbos de pensamento: elimine-os, agora.

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Na época do NaNoWriMo, além de escrever feito uma louca, consegui ler alguns blogs de escrita que o pessoal do grupo no Facebook colocava como referência, e um dos textos que li foi uma matéria que o Chuck Palahniuk escreveu, falando sobre eliminar os verbos de pensamento (Thought verbs).

Esse cara por si só é uma grande referência na escrita, é dele o livro Clube da Luta, de onde surgiu o excelente filme.

Mas o mês foi corrido e eu esqueci desse texto, que acabei reencontrando hoje. Quis então traduzir para postar aqui, porém achei já lindamente traduzido no blog Labirinto Negro, irei colar algumas partes que considero mais relevantes do texto:

“Em seis segundos, você vai me odiar.

Em seis meses, você será um escritor melhor.

Desse ponto em diante, por pelo menos metade do ano, você está proibido de usar verbos “de pensamento”. Isso inclui: pensa, sabe, entende, acredita, quer, deseja, imagina, lembra, e muitos, muitos outros que tenho certeza que você adora usar.

A lista também deve incluir: Ama e Odeia, É e Tem. Vocês já saberão porquê.

Ao invés de colocar personagens que sabem alguma coisa, mostre os detalhes que permitem que o leitor os saiba. Ao invés de dizer que o personagem deseja algo, descreva esse algo ou alguém para que o leitor também o queira.

Ao invés de dizer: “Tommy sabia que Stacy gostava dele”, você terá de dizer: “Nos intervalos das aulas, Stacy sempre estava lá, inclinada contra o armário dele. Ela ria e o empurrava quando ele tentava abri-lo, deixando a marca de seus tênis no metal, mas deixando também o seu perfume suave quando passava. Quando ela ia, o armário ainda estava quente onde ela havia se inclinado, o aguardando chegar. E, a cada intervalo, lá estava ela novamente.”.

Resumindo, sem atalhos. Só especifique detalhes sensoriais: Cheiro, Sabor, Ação, Som e Sensação. Apenas isso.

Geralmente, escritores usam esses infames verbos nos começos de parágrafos, porque eles indicam a intenção do autor muito diretamente e, o que segue depois, só serve como ilustração:

“Brenda sabia que ela nunca iria conseguir cumprir aquele prazo. Atolada no trânsito há mais de oito ou nove ruas, com a bateria do celular descarregada, ela não poderia chegar a tempo. Os cachorros em casa com certeza precisariam passear ou teriam feito uma bagunça para ela limpar, e ela também tinha prometido regar as plantas do vizinho…”.

Você vê como aquele atalho ali corta a emoção do que vem a seguir? Então, não o faça. Em último caso, pegue esse atalho e o coloque depois de tudo mais, ou ainda, o troque por algo como, por exemplo “Brenda nunca cumpriria o prazo”. Algo que você, como autor, sabe, mas o personagem não.

Não diga a seu leitor que a Lisa odiava o Tom.

No lugar disso, faça como um advogado na corte – diga-o com detalhes. Apresente as evidências. Por exemplo:

“Durante a chamada, em apenas um breve segundo que o professor chamou o nome de Tom, Lisa sussurrou nada discretamente imbecil para que todos ao seu redor ouvissem, quando Tom nada mais fez do que responder um acanhado presente ao professor.”

Um dos erros mais frequentes de autores iniciantes é deixar seus personagens sozinhos. Você, escrevendo, talvez esteja sozinho. Lendo, talvez seu leitor esteja sozinho. Mas o seu personagem vai passar muito pouco tempo sozinho, porque um personagem sozinho começa a pensar, a ponderar, a se preocupar. Por exemplo:

“Esperando pelo ônibus, Mike começou a se preocupar com quanto tempo a viagem iria tomar…”.

E, desempacotando isso, nós temos: “O programa dizia que o ônibus viria ao meio dia, mas o relógio de Mark já constatava 11:57. Era possível ver até o fim da rua, até mesmo o shopping à distância, mas nenhum sinal de um ônibus. Sem dúvida, o motorista estava estacionado na curva no fim da rua, tirando uma soneca e roncando, e Mark ia se atrasar. Ou pior, ele estava bebendo e ele apareceria bêbado e ainda por cima iria cobrar Mark uma passagem só de ia para o que seria a viagem que poderia leva-lo a um hospital por um grave acidente…”

Um personagem solitário deve se perder em fantasia e em memórias, mas até mesmo aí você não pode usar os verbos de pensamento ou nenhum de seus relativos abstratos. Ah, e pode desistir também de usar verbos como lembrar e esquecer. Nada mais de transições como: “Lucia lembrou de como Nelson costumava acariciar os cabelos dela.”

Ao invés disso: “Nas épocas do colégio, Nelson costumava acariciar seus cabelos com as pontas de seus dedos, bem suavemente”.

Novamente, desempacote. Não tome atalhos.

Melhor ainda, ponha o seu personagem com outro em cena, e rápido. Coloque-os juntos e ponha a ação para acontecer. Deixe que as ações e as palavras deles mostrem seus verdadeiros pensamentos. Você, você só tem que ficar fora da cabeça deles.

E já que está evitando verbos de pensamento, evite também É ou Tem.

Por exemplo: “Ana tem olhos azuis” ou “Os olhos de Ana são azuis”.

Versus: “Ana tossiu e sacodiu a mão para afastar a fumaça de seus olhos azuis, antes de sorrir e prosseguir…”.

Não coloque frases sem graça e neutras como aquela primeira. Coloque seus detalhes sobre o que o personagem é ou tem durante suas ações e gestos, o que é muito mais natural. Do jeito mais básico possível, é assim que você vai mostrar a sua história. Não contá-la. Mostrá-la.

E acredite, depois que você aprender as glórias de desempacotar seus personagens, você vai detestar narrativas preguiçosas como “James sentou-se do lado do telefone, perguntando-se por que Amanda não ligou”.

Por favor. Por enquanto, me odeie o quanto você quiser, mas não use verbos de pensamento. Depois de seis meses, você pode voltar a usá-los como louco, se quiser, mas posso apostar em dinheiro que você não vai querer. (…)

Como dever de casa desse mês, pegue sua história ou o que quer que você esteja escrevendo no momento e circule todos os verbos de pensamento que você conseguir encontrar. Então, ache um jeito de tirá-lo de lá. Elimine-o. Mate-o desempacotando seus personagens e expondo o que eles realmente são.”

 

Texto completo: labirintonegro.wordpress.com/2014/02/06/escrevendo-desempacotando-um-exercicio-de-desenvolvimento/

Texto original em inglês: litreactor.com/essays/chuck-palahniuk/nuts-and-bolts-%E2%80%9Cthought%E2%80%9D-verbs

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comentários

Comments (3)

  1. Pingback: Na Máquina de Escrever: Mostre, não conte

  2. Daniel Rocha

    Bem interessante, hein? Vou tentar me lembrar disso tudo…:)

    Bjos, abraços e sigamos escrevendo!

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  3. Lai

    Oieeee,

    Poxa,ele é o cara!!Adorei o texto,ele tem razao,fica bem melhor o texto,prefiro assim tb,descubrir do que a pessoa falar logo de cara e tb adorei o q disse sobre ficar 6 mese ssem usar verbos de pensamentos!!Dps de 6 meses,nem é q vc n vai querer usar,vc nem vai precisar,já vai tá escrevendo um texto mt mais rico..

    Ah, e n acho q vc tenha esquecido o texto dele e por acaso e reencontrando hj tb por acaso,as vezes nao é o momento e acredito qaue hj foi,talvez vc estivesse mais preparada para aplicar esse conhecimento e antes,talvez fosse mais difícil…acho que é isso!!:)

    Só n sei como vc n fica confusa com tanta leitura,mesmo colocando td organizadinho nos “post it”!Eu teria enlouquecido legal!!Hehehe.No mínimo agoniada.Quando estudo as teorias e tento colocar no papel,fazendo análise de filme,tenho uma dificuldade danada..tá eu n sou organizada nem escrevo em Post it..rsrs,pq fico agoniada tb,nervoseio legal…mas,quem sabe,poderia tentar,mas agora só no 2 ano do curso,logo,logo!Até organizei a mesa do pc,tava cheia de papel de Vero que me deixavam nervosa só de olhar rsrs..

    Beijoca,amiga aplicada!:D

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