Tenho a melhor ideia do mundo, por onde começo?

Você está há dias desenvolvendo mentalmente uma história, criando cenas, diálogos, é uma ideia de plot sensacional. Você corre para o computador, abre um novo documento e… E agora?

As orientações que darei a seguir são apenas isso mesmo, orientações. Não há regras estáticas para a escrita, não existe receita de bolo infalível, cada um acaba entendendo quais métodos funcionam ou não funcionam para si com o passar do tempo.

De forma geral, e como tem funcionado para mim, há uma sequência de procedimentos que podem dar à luz ao seu romance (lembrando que romance não necessariamente é uma história romântica).

 

1º Passo:  Resumo.

Escreva um resumo da sua história, umas 3 ou 4 páginas de Word (de 2 a 5 mil palavras), escreva como se estivesse contando a história para alguém, sem se ater à qualidade do texto, tente traçar a narrativa num fio cronológico razoável, enfileirando os plot points e plot twists.

Uma rápida pausa para explicar o que significam estas palavras:

– Plot point: é um evento significativo dentro do enredo (plot), que leva a ação para outra direção, ou para frente. São as cenas principais.

– Plot twist: é a virada, aquela reviravolta que faz o leitor exclamar uau!

Ok, voltando ao escopo da coluna de hoje, após escrever seu resumo (de preferência com início, meio e fim), vamos à elaboração dos itens necessários à montagem do romance.

Quando você estiver desenvolvendo o resumo (também conhecido como storyline), certifique-se que sua história possui um arco dramático. Para saber se sua história possui, faça a simples pergunta:

– O protagonista saiu de um ponto e chegou a outro?

O arco é a história principal, o que move o protagonista durante toda a jornada, da primeira palavra ao ponto final. Você precisa ter algo que o motive a lutar ou desejar aquilo, que o fará sair da sua zona de conforto, correr riscos, questionar se vale a pena, questionar seus valores, suas convicções. Não esqueça de criar os obstáculos, tudo que irá impedir que ele alcance seus objetivos, os problemas, dificuldades, dúvidas.

Faça a narrativa evoluir em dramaticidade e dificuldade com o passar do tempo, uma ação precisa ser mais significativa que a anterior. Culmine com o esperado clímax, surpreenda com um plot twist.

Crie um bom objetivo, mas também crie conflitos, são eles que movem o leitor a ir para a próxima página.

 

2º Passo: Ambientação.

Feche os olhos, passeie pelas suas cenas, se pergunte (e anote): Em qual planeta, país, estado, cidade, se passa? Já existe ou você irá criar uma nova terra? Se já existir: você conhece o suficiente para ambientar sua história de 500 páginas ali? Não necessariamente você precisa ter visitado ou morado no local, mas é interessante que haja um conhecimento prévio, seja por filmes, livros, pesquisa própria. Passeie de Google Street View, estude os mapas daquele local, a geografia, os nomes dos acidentes geográficos, rios, parques. Tem porto? Tem aeroporto? Imagine escrever uma história que se passa na minha pequena cidade natal, e num dado momento você escreve “Fulana desembarcou do seu voo em Santo Amaro da Imperatriz”. Só se o avião pousou no rio.

 

3º Passo: Personagens.

Crie fichas dos personagens. Fichas mais detalhadas para os protagonistas, fichas mais sucintas para os coadjuvantes. O que colocar nestas fichas? Aqui vão algumas sugestões:

Características físicas: Como o personagem é, fisicamente falando?

O que gosta de fazer nas horas vagas? Tem algum hobby? Possui animais de estimação?

Qual sua idade? Sua família é grande ou pequena? Onde mora? Qual sua classe social?

Que empregos teve e tem? Ele gosta do que faz, ou faz por algum outro motivo?

O personagem tem amigos, namorada ou namorado, cônjuge? Se dá bem com os pais?

O que move o personagem? Onde ele quer chegar?

Obstáculos: O que o impede de chegar às suas metas?

 

4º Passo: Cronograma.

Isso funciona comigo, então talvez funcione com você. Aos poucos, crie um calendário, ou apenas anote dia após dia, com todas as cenas. É a linha cronológica das ações.

Eu faço de duas formas: Num caderno, listando os dias e colocando o que aconteceu de importante ao lado, fazendo uma imensa lista de cenas. (dica: faça a lápis, você vai acabar alterando várias vezes.)

E também faço um mural de post its, com todas as cenas, cada post it com uma cena e a data em que ocorreu. Esse mural é imprescindível para minha escrita, pois eu consigo de fato visualizar minha história, como um quadro na parede. Os post its podem ser alterados com o tempo, alguns saem, outro entram, outro apenas mudam de data.

 

5º Passo: Mãos à obra.

Apenas você pode contar sua história.

Não tenha medo de escrever algo ruim, detestável, ou de qualidade duvidosa. A evolução surge com a prática.

Escreva, escreva, e escreva, mesmo se não se sentir inspirado. Tudo pode ser revisado, editado e melhorado depois.

Mas você não pode editar uma página em branco.

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