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Capítulo 8 – Basorexia

Capítulo 8 – Basorexia

 

Mike guiou o carro branco até um bar próximo à Avenida Paulista, onde as meninas aguardavam.

– Você é o famoso major Mike? – Letícia o abraçou, sorridente.

– Espero que o famoso seja por bons motivos. – Mike brincou.

– Ah, foi de você que Theo roubou Sam? – Daniela perguntou, recebendo uma cutucada discreta de Letícia.

Sam deu um sorriso amarelo, e tentou remediar.

– Theo não roubou, ela conquistou.

– Prazer em conhecê-lo. – Daniela o cumprimentou, todos sentaram, mas Sam percebeu os olhares que Mike deu ao redor, o público era um tanto alternativo.

– Sam disse que você conseguiu um emprego, está gostando? – Letícia perguntou.

– É algo temporário até conseguir algo dentro da minha área, mas pelo menos estou numa grande empresa.

– Onde?

– Na Archer.

– Eu conversei com Claire. – Sam dizia. – Ela conseguiu alocá-lo.

– Você pretende voltar ao exército? – Letícia perguntou.

– No momento não, tenho outros planos, provavelmente vou abrir um negócio em San Paolo, talvez uma loja de armas.

Os drinques vinham à medida que o papo prosseguia, Mike estava incomodado com uma mesa cheia de homens na casa dos trinta anos que conversavam animadamente atrás deles.

– Isso é um bar gay? – Mike perguntou, alguns copos depois.

– Não, na verdade hoje em dia é raro você encontrar algum lugar que faça esse tipo de segregação. – Daniela respondeu, atraindo a atenção demorada de Mike.

– Você é um tanto estranha.

– O que? – Daniela perguntou, incrédula.

– Desculpe, não quis ofender, estava apenas pensando em voz alta. – Mike respondeu e fez sinal ao garçom pedindo outra bebida. Sam já havia parado de beber, e estava com sono.

– Está de plantão amanhã, Letícia? – Sam perguntou.

– Sim, por isso já parei de beber, entro as oito. Mas darei uma passadinha no Lincoln Memorial antes, para dar um beijo na Bela Adormecida.

– Dorme na minha casa hoje, é mais perto do Lincoln. – Daniela sussurrou para Letícia.

– Com todo prazer. – Letícia lhe deu beijo rápido.

– Vocês não namoradas? – Mike perguntou.

– Sim, não sabia?

– Não, mas eu deveria ter previsto, já que são amigas de Theo.

– Isso não quer dizer nada. – Letícia falou num tom sério.

– Sapatão anda com sapatão, não é assim que funciona? Já que não conseguem arrumar um homem.

– Mike, pare de falar besteira. – Sam pediu, envergonhada.

– De que planeta você veio? – Daniela perguntou, espantada.

– Na Europa temos costumes e crenças diferentes, desculpe, ele não quis ofender vocês. – Sam interviu.

– Vocês? – Letícia se indignou. – Vocês quem? Sam, ele também te ofende dizendo essas coisas.

– Eu sei. – Sam virou-se na direção de Mike, que estava sentado ao seu lado. – Mike, achei que você havia parado com essas coisas.

– No dia que ser bicha e sapatão for natural, eu paro de falar nisso. Mas enquanto isso, continuarei dizendo o que penso, porque é minha opinião, e deve ser respeitada.

– Não confunda opinião com discurso de ódio, major. – Letícia disse.

– Ah, vai dizer que você acha bonito essa pouca vergonha na mesa de trás? Dois barbudos se beijando, você sabe que é nojento.

– Ok, por hoje chega. – Daniela levantou-se.

Letícia fez o mesmo, abandonando a mesa.

– Não vai dividir a conta? – Mike resmungou. – Onde está seu feminismo agora? Não querem igualdade? Por que não lutam para que o serviço militar seja obrigatório para mulheres também, hein?

– Mike, você realmente não faz ideia do quanto está sendo patético, não é? – Sam bradou, enfurecida.

– Estou falando algumas verdades incômodas, apenas isso.

Sam pagou a conta, e seguiram em silêncio no carro até a mansão, ao entrarem na casa, Mike tomou a mão de Sam.

– Me desculpe, eu me alterei um pouco por causa das bebidas, eu não queria te ofender.

Sam soltou sua mão.

– Eu estou acostumada a ouvir ofensas suas, mas as meninas não precisavam conhecer esse seu lado preconceituoso, não acha?

– Preconceituoso? Tudo é preconceito para vocês agora? Não posso nem dar minha opinião nesse país de merda que já surgem os fiscais do politicamente correto.

– Pelo visto você só estava guardando isso aí dentro. – Sam fez menção de ir para as escadas, sendo parada por Mike, que a segurou pelos ombros, a virando.

– Espere. Não quero que durma chateada comigo, você me desculpa? – Mike aproximou-se de Sam, quase a beijando.

– Do que adianta desculpar? Daqui a pouco você fala alguma asneira de novo. Apenas saiba que nunca mais sairei com você.

– Eu te trato com tanto carinho, você poderia retribuir um pouco. – Mike a abraçou, contra sua vontade, e tentou beijá-la. Sam tentou desvencilhar, mas ele a segurou mais forte.

– Mike, é melhor você me soltar.

– Eu te amo, Sam, você sabe que te ainda te amo.

– Então faça a desprogramação química e seja livre, dinheiro para fazer isso não falta, agende um horário o mais rápido. Ou então conheça outras pessoas.

– Não tem nada a ver com programação, eu sempre te amei, mesmo antes disso tudo.

– Mike, você bebeu, não quero mais conversar com você, me solte, quero dormir.

– Eu já estou ótimo, vamos lá, me dê uma chance. – Mike continuava prendendo Sam, que o empurrava pelos ombros.

– Você teve oito anos de chances, me deixe ser feliz com Theo agora, procure outra pessoa.

– Sam, você teve a mesma criação religiosa que eu tive, no fundo você sabe que está tudo errado, que isso é imoral, e nem um pouco natural, o certo é homem e mulher, foi assim que Deus quis que as famílias surgissem, você sabe que está errada.

Sam o empurrou, conseguindo sair de seus braços, o fitava enfurecida.

– Errada? Sabe o que é errado? Eu estar aqui tendo essa conversa idiota com você, depois de uma noite bebendo e me divertindo, enquanto Theo está sozinha num quarto de UTI, sedada, porque teve uma convulsão quando descobriu que amputaram sua mão, isso que está muito errado!

– Ela vai se acostumar, assim como você se acostumou com sua perna.

– Olha quem está dizendo isso, a pessoa que não me deixava tirar a roupa porque não queria ter que encarar minha perna artificial, belo exemplo você, não é mesmo? Você é um bom hipócrita!

– Não tenho obrigação em sentir tesão por um pedaço de metal.

Sam bufou irritada, ensaiou falar algo, mas desistiu e subiu as escadas com passadas firmes.

Acordou na manhã seguinte com uma forte dor de cabeça, passou na cozinha apenas para beber água, e seguiu para o hospital.

Entrou na UTI e viu Theo dormindo virada para o outro lado. Aproximou-se devagar, olhou demoradamente as cicatrizes na nuca e lateral da cabeça, onde o cabelo voltava a crescer. Correu levemente seus dedos pelas extensas cicatrizes, até que Theo abriu os olhos, num susto rápido.

– Desculpe, não queria te acordar. – Sam disse.

Theo ficou ainda algum tempo assim, apenas de olhos abertos, sonolenta. Tentou virar-se para cima, sendo ajudada por Sam.

– Bom dia, recruta. – Lhe deu um beijo na testa. – Está melhor?

Não houve resposta.

– Acho que você ainda não voltou. Vou descer e pegar um café e algo para comer, já volto.

– Sss

Sam largou a porta, e voltou ao lado de Theo.

– Você estava me chamando?

Theo assentiu com a cabeça.

– Achei que você não estava aqui. – Sam disse entre um sorriso aberto. – Você estava tentando falar meu nome?

Theo meneou que sim.

– Depois eu pego o café, vou ficar um pouco com você.

Theo fez um gesto com o indicador, pedindo a tela.

– Você quer escrever? Vou colocar a tela na sua mão.

“Me conte” – Theo escreveu.

– Contar o que?

“Tudo”

– Tudo que aconteceu nesse tempo em que você estava em coma?

Theo concordou.

– Ok, por onde começo?

“Mike” – Escreveu.

– Ah, Mike. É, acho que devo explicações. – Sam sentou na cadeira ao lado, segurando e afagando a mão de Theo. – Quando acordei do transplante, Mike foi a única pessoa que pude contar, ele esteve ao meu lado o tempo todo, e os primeiros dias foram difíceis, ele foi uma boa companhia.

Theo franziu a testa, e ergueu a mão, pedindo uma pausa.

– Quer que eu pare de falar?

Theo negou, movendo a cabeça. E desenhou um coração na tela.

– Coração? Ah, você quer saber como consegui um coração?

Theo assentiu.

– Graças à sua carta de despedida, o administrativo do hospital leu a carta e entrou em contato com uma ONG que ajuda refugiados, me colocaram no topo da lista de transplantes, e aqui estou eu, com um coração de verdade. – Sam sorriu. – E sabe qual foi a primeira coisa que aconteceu quando colocaram esse coração em mim?

Theo respondeu que não.

– Eu enchi de você.

Theo sorriu de leve.

– Bom, eu fiquei alguns dias aqui no hospital, Lindsay veio e passou um tempinho também, e eu ainda estava internada quando liberaram sua casa para nosso uso, então Lindsay e Mike foram para lá, porque estavam pagando hotel.

Sam suspirou antes de prosseguir.

– Eu sei que você não gosta dele, mas está tudo bem, ele está apenas morando lá, me fazendo companhia eventualmente. E agora está trabalhando como motorista na Archer, eu pedi a Claire que o contratassem. Ah, e eu estou indo todas as tardes para lá também, Claire tem me ensinado tudo sobre a Archer biotecnologia, também tenho conversado com outras pessoas, mas os conselheiros não gostam muito de mim. Eu não ligo, já participo das reuniões, e até arrisco algumas perguntas e sugestões. Tem dois caras lá que não gostam muito de nós, Sandro e Stefan, eles são meio caladões, às vezes até um tanto grosseiros comigo, mas não me intimidam, eu estou ficando cada vez mais a par dos negócios, e quando você melhorar poderemos conversar melhor a respeito.

Theo ouvia tudo atentamente, mas sem maiores movimentos ou interações.

– Ãhn… O que mais… – Sam coçava a testa. – Meu pai veio nos visitar uma vez, Lindsay veio ao todo três vezes, minha mãe veio uma vez também. E sua vó Amelia veio da Suíça te visitar uma vez, mas não pode ficar muito tempo porque ela toma conta de um filho com problemas de saúde, acho que ele tem alguma deficiência mental, não é?

Theo concordou, balançando a cabeça.

– Ela deixou para você um canivete, que disse ter sido do seu avô Daniel. Ele morreu há muito tempo?

Theo ergueu quatro dedos.

– Quatro anos, ok. Você recebeu visitas de alguns colegas da faculdade e do basquete, Claire também veio te ver algumas vezes, ela cuidou da sua segurança, e tem me orientado, porque estava um tanto perdida nesse mundo de Theo. – Sam riu.  – Conversei algumas vezes com Levon, ele disse que sente sua falta. O pessoal que trabalha na sua casa também está com saudades, eu trouxe Marcy e Lucian para te visitar uma vez. Minhas companhias constantes são Letícia e Daniela, que vem quase todos os dias aqui. Letícia coitada, largou o segundo emprego, para poder ficar mais tempo com você, eu gosto dela, e da namorada também, agora entendo porque você me disse que tinha tanto carinho por ela, não senti ciúmes em momento algum, mesmo sabendo que vocês já namoraram. Bom, o que mais você quer saber?

Theo ergueu a mão, tocando o rosto de Sam, o acariciando sem pressa.

– Eu colocava sua mão em meu rosto todos os dias, para sentir teu calor em mim, para saber que você estava aqui, e que ainda tinha você comigo. Hoje é a primeira vez que sua mão está em meu rosto me fazendo carinho. – Sam se emocionava. – Bom, você quer que eu fale de mim?

Theo assentiu.

– Deu tudo certo com o transplante, no início eu apenas passava o maior número de horas possíveis aqui nesse quarto, sem fazer nada. Depois comecei a me dedicar à Archer, e também passei a usar seu presente, estou pintando aqui ao seu lado todas as manhãs, eu tenho pintado os lugares onde passamos nossas noites.

Theo sorriu.

– Gostou? Eu prometi a mim mesma que te daria orgulho quando acordasse, estou me esforçando, não acertei sempre, mas juro, estou me esforçando. Ok, próximo tema.

Theo voltou a escrever.

“Voz”

– Sua voz não voltou por conta de sequelas do seu acidente, mas doutor Franco está programando os nanobots, ele está esperando você estabilizar para fazer uma nova cirurgia, talvez você volte a falar em muito breve. Mas não se force a falar agora, o fonoaudiólogo vai cuidar disso por enquanto.

“Alta” Theo escreveu.

– Não tem previsão ainda, mas acredite, estou enchendo o saco de todos os médicos possíveis para tirar você daqui o quanto antes. Me comprometi a montar uma super estrutura de UTI na sua casa para te receber, mas não vão te liberar antes dessa cirurgia, então temos que ter paciência.

Theo balançou a cabeça com desânimo.

– Aguente firme, você está há dois meses aqui, em alguns dias estará de volta à sua casinha. A propósito, estou ocupando seu quarto, espero não se importar.

Theo sinalizou que não.

– Quando eu levar você para casa, você ficará num quarto no térreo, para facilitar sua vida, mas seu quarto estará lhe aguardando, ok? Bom, já enchi você de informações, não quero te deixar confusa nem agitada, então vamos fazer uma paradinha. Posso descer para pegar um café?

Theo ergueu dois dedos.

– Você ainda não pode tomar café, mas já está começando a se alimentar por via oral, eu sei que é um saco comer líquidos, mas as coisas irão evoluir devagar, você ficou muito tempo sem se alimentar normalmente, e ainda tem todas essas sondas em você, que vão ficar por aí por um bom tempo.

Theo escrevia algo lentamente.

“Odeio sondas”

– É, eu imagino, deve ser desconfortável esses tubos todos saindo do seu corpo, mas garota, você tem ideia do que já superou? Quase decretaram sua morte umas cinco vezes, seu cérebro estava paradinho, você teve infecção urinária, renal, intestinal, e urinária de novo, teve duas pneumonias, eu afundei o banco da capela do hospital, de tanto que orei por você, acendi umas quarenta velas, fora as missas que encomendei em nome da sua melhora.

Theo riu.

– E eu sei que tudo valeu a pena quando finalmente ouço o som da sua risada.

Sam beijou sua mão, depois deu um beijo demorado em seu pescoço.

– Eu te amo, Theodora. – Sam sussurrou, e ergueu-se.

Theo apontou para seu próprio peito, e depois para Sam.

– É, agora eu sei.

***

Nos dias seguintes, Theo continuou oscilando entre períodos de consciência e inconsciência, às vezes passava horas alheia ao mundo. Ganhou mais independência com a troca da máscara de oxigênio por um fino tubo abaixo de seu nariz. Fazia fisioterapia duas vezes por dia, e seu estado clínico melhorava a cada dia.

– Vou para casa, ok? – Sam aproximou-se do leito no início da noite, ela costumava fazer dois turnos no hospital: de manhã e à tardinha, depois de passar a tarde na Archer.

Theo balançou a cabeça, concordando.

– Você sabe que todo dia levo um pouquinho de você comigo quando saio daqui, não sabe? Eu fico contando as horas para voltar para o hospital de manhã.

Sam curvou-se por cima da cama, lhe dando um beijo demorado na testa. Estava já se erguendo quando mudou de ideia, encarou Theo com um sorriso arteiro, e lhe beijou suavemente os lábios, a pegando de surpresa.

Theo lançou um suspiro e abriu os lábios, a convidando para continuar o beijo. Sam não hesitou, prosseguiu um beijo tímido, mas tão quente e reconfortante, que despertou todo o restante do amor e desejo que sentia, e estivera em segundo plano por mais de dois meses, tudo cuidadosamente guardado em seu novo coração.

Sam sabia desde o momento em que havia despertado do coma que Theo estava de volta, mas agora, pela primeira vez, ela sentia que sua namorada estava de volta.

Cessou o beijo, mantendo seu rosto próximo, percebeu Theo abrindo os olhos devagar, sabia que aquele era um momento importante para ela também. Ela bem que tentou, mas acabou permitindo que a as sensações explosivas se manifestassem externamente.

Theo percebeu, e correu sua mão pelo rosto de Sam, o enxugando. Inclinou-se e a beijou novamente. Recostou-se na cama respirando rapidamente.

– Cuidado com os excessos, mocinha. – Sam brincou, passando seu dedo abaixo e acima dos lábios de Theo, enxugando.

Theo colocou o indicador no próprio peito, e depois apontou para Sam.

– Eu também te amo.

Dois dias depois, Letícia foi visitá-las no meio da manhã.

– Bom dia, moças. – Letícia entrou no quarto com dois copos de café. – Trouxe um café para você.

Theo ergueu o polegar e sorriu.

– Não é para você, por enquanto contente-se com seu suco de lima e de laranja, e as pastinhas super apetitosas. – Letícia entregou o copo à Sam.

Theo fez um gesto com a mão, abrindo e fechando os dedos.

– Muito? – Sam perguntou, tentando entender.

Theo sinalizou que não, e continuou fazendo gesto.

– Cheio? – Sam arriscou. – O que isso significa?

Ela passou então a sinalizar com o dedo, pedindo a tela.

– Ok, pode escrever.

“Fome”

– Não podemos alimentar você, sua dieta é bem restrita.

Theo voltou a fazer o gesto com os dedos.

– Amor, suas refeições são controladas, daqui a pouco deve vir algo para você comer, ou beber. – Sam explicava, carinhosamente.

Theo suspirou com tristeza.

– O que você gostaria de comer? – Sam perguntou.

– Não vale bife com batatas fritas. – Letícia completou.

“Frutas” – Escreveu.

– O suco de laranja não serve?

Theo negou.

– Eu vou conversar com o nutricionista, vou perguntar se ele libera mais algum suco para você, ok?

Theo balançou a cabeça negativamente, e bateu com o indicador na tela.

“Frutas”

– Prometo conversar ainda hoje com eles, combinado?

No dia seguinte, Sam chegou no quarto com uma sacola cheia de pequenos potes, largando ao lado da cama.

– Bom dia, recruta, trouxe uma coisinha para você. – Sam deu um beijo rápido em seus lábios, e passou a mexer na sacola, tirando os potes.

Theo correu a mão pela lateral da cama, e ergueu o encosto, estava curiosa.

– Conversei ontem com o nutricionista, ele disse que você não pode comer frutas ainda, mas adicionou mais dois sabores de sucos ao seu cardápio.

Theo suspirou desmotivada.

– Ele disse que você poderia até mastigar alguma fruta, mas não pode engolir. Eu achei um tanto sádico isso, por isso descartei essa possibilidade. Porém… – Sam fazia mistério.

Theo voltou a se animar.

– Você pode sentir o gosto das frutas de uma forma um tanto… Divertida.

Theo franziu as sobrancelhas.

– Eu trouxe algumas frutas, e vou comer todas.

Theo ergueu uma sobrancelha.

– Você gostaria de ganhar um beijo depois de cada fruta?

Theo balançou a cabeça com animação, concordando.

– Ótimo. Hum… Não vou dizer o nome da fruta, você vai ter que adivinhar.

Theo assentiu.

Sam comeu três pequenas frutinhas, quando terminou, sentou ao lado de Theo, na cama, e lhe beijou.

Após um voluptuoso beijo doce, Theo escreveu na tela.

“Pitanga”

– Essa foi fácil. – Sam brincou. – Quer continuar?

Theo balançou a cabeça empolgada.

– Bom, eu não sei que fruta é essa, mas parece gostosa.

Sam deu duas mordidas na fruta, e novamente beijou Theo quando terminou de comer.

“Carambola” – Theo escreveu.

– Deve ser, já ouvi falar dessa fruta. Essa também é meio estranha, mas já comi antes.

Sam repetiu o ritual, e prontamente Theo escreveu.

“ Kiwi”

– Muito bom, você é uma aluna aplicada, recruta. Quer mais?

Theo concordou.

Sam comeu algumas frutas, e ao fim beijou Theo. Mas o beijo continuou, Sam correu sua mão por trás da nuca de Theo, e o beijo criou vida própria. Depois de algum tempo, ambas finalizaram ofegantes. Sam ajeitou o tubo no rosto de Theo.

– Uou. – Sam exasperou, ainda tomada pelas sensações fortes que aquele beijo lascivo havia provocado.

Theo também parecia um tanto perdida.

– E então, ainda lembra qual fruta provou, ou quer mais? – Sam provocou.

Theo parou com a mão sobre a tela, tentando se concentrar.

“Morango” – Por fim escreveu.

– É, morango. Pelo visto é sua fruta preferida. – Sam riu.

Theo abriu um sorriso, daqueles que atingiam o coração de Sam como uma bala.

Naquela noite nenhuma das duas teve dificuldade para dormir, Sam em sua enorme cama confortável na mansão, e Theo em seu leito de hospital, num quarto de luz baixa.

Acordou no meio da madrugada com um enfermeiro manuseando seu braço, parecia tentar colocar outro acesso intravenoso. Sentiu dor no local, e puxou seu braço, um tanto assustada.

– Não puxe o braço, é pior, posso fazer um grande estrago.

Instantaneamente Theo reconheceu a voz e entrou em pânico, era Elias.

 

Basorexia: s.f.: grande desejo de beijar alguém.

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comentários

Comments (10)

  1. Jéssica Correa

    Zo Guizzardi kkkkk nossa! Acho que ela é meio idiota, mas não faz por mal. Podre? Poxa.

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  2. Zo Guizzardi

    Desculpa, Jessica, mas a Sam é pessoa mais podre que conheço…

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  3. Jéssica Correa

    Caralho! Que foi isso?
    É um pesadelo, né?

    Que linda a forma como a Sam est tratando a Theo.. to cada dia mais gostando dela. Elas são muito fofas.
    Fico sonhando com o dia que a Theo volta a enxergar e vê a Sam pela primeira vez..

    Me diz uma coisa: Algum macho vai comer o Mike antes do final, né? Meu sonho!

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  4. Maria Clara Batista

    Esse capítulo foi uma montanha russa, pq começo com Mike foi de ódio, depois o momento fofo das duas e a criatividade de Sam, e por fim esse momento tenso e angustiante com Elias. É muita oscilação de emoção.

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  5. Maria

    Esse Mike é um estupido ignorante, não sei como a Sam ainda atura ele… Finalmente o beijo que estava esperando entre a Theo e a Sam, elas não tão lindas juntos…
    Cris, não vá fazer o Elias sequestrar a Theo de novo, ela não merece isso, tenha mais amor no coração guria, deixe a ‘bichinha’ ser feliz um pouco pelo menos.

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  6. Diin Tvrs

    Que seja a porra de uma pesadelo…

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    1. Schwinden (Post author)

      It’s not a dream 😉

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  7. Virginia Paulino

    Pelo amor de Deus Cris não faz isso com a gente!! Depois de cenas lindas, elas se beijaram depois de tanto tempo, se divertiram… Como ele conseguiu entrar?? Por favor, não deixa nada acontecer com a Theo, por favor Cris, nunca te pedi nada!!!

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  8. ADA M DE MELO

    gente que horror, Cris mulher como é que vc termina um cap tão lindo, tirando a parte do homofóbico do Mike no começo, com esse monstro perto da Theo? agora só nos resta torcer para aparecer alguém para salvar a Theo.

    Reply
    1. Adriana Fregnan

      ???não acredito!!! Acabou com o resto da minha unha kkk
      Odeio esse cínico do Mike com toda minha alma kkkk esse Elias aparecendo assim oh Deus…
      O bálsamo desse beijos frutíferos kkk
      Amei e fiquei imaginando a cena.li duas vezes,daí acordei kkkk
      Menina má kkkk
      Obrigada por mais um Cap emocionante bjosss

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