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Capítulo 70 – Arquejar

Capítulo 70 – Arquejar

 

– Sua ideia de tirarmos um dia inteiro de folga foi maravilhosa.

Sam disse em frente à cama, trajava apenas um roupão após o segundo banho do dia. Haviam passado a tarde inteira fazendo sexo e se curtindo naquele quarto emprestado da mansão de Michelle. Passava das dez da noite e ela desejava um segundo round libidinoso, evidenciado por seu sorriso malicioso ao encarar Theo.

– Estávamos merecendo um dia de luxúria.

Do outro lado do ringue, Theo jazia deitada nua enrolada em lençóis e edredons. Apesar da surpresa com o convite escancarado para mais sexo, estava adorando essa nova Samantha: cheia de energia e autoconfiante, bem diferente daquela versão ex-presidiária cabisbaixa e com problemas de autoestima.

Sam engatinhou pela cama, na direção e por cima e Theo, que a esperava cheia de vontades.

Theo abriu o roupão dela, a sentando em seu quadril, apreciou a vista, passeou as mãos.

– Você está me dando umas ideias… Com essa carinha safada. – Theo disse se esbaldando com os seios dela.

Sam deitou-se sobre o corpo desnudo de Theo, após tirar o roupão.

– Algo que você já tenha me apresentado? – Sam beijava e brincava com mordidinhas a orelha da namorada.

– Não, algo novo. Talvez você já tenha visto nos vídeos.

– Eu parei de ver os vídeos. – Sam respondeu rindo. – Prefiro praticar com você.

Theo a puxou pela nuca, prolongou o beijo ardente até arquejar, perdendo o fôlego.

– E então? Topa? – Theo provocou, mordendo seu queixo.

– Com você eu topo tudo, coelhinha tatuada. – Sam disse, relembrando um apelido usado no passado.

Theo girou para o lado, ficando por cima dela. Não havia pressa alguma, entre beijos volumosos e mãos nada bobas passeando pelos corpos nus, a jovem herdeira passou dos seios para novamente um beijo.

– Já ouviu falar em 69?

– Já.

– Sabe o que é?

– Não faço ideia.

Theo a beijou, as mãos passeando pela pele de sua amante como se fossem chamas, que suspirava com os toques. Sorriu ao perceber a pele arrepiada dela. Correu seus dedos pelo sexo de Sam, que soltou um gemido com surpresa. Voltou a falar de forma maliciosa, com a boca em sua orelha.

– Você está deliciosamente molhada, eu vou cair de boca em você. E você vai cair de boca em mim.

– Como?

Após inverter sua posição em cima de Sam, Theo correu sua língua por todo o sexo dela, e disse com um sorrisinho.

– Entendeu ou precisa de outra amostra?

Sam confirmou sem pronunciar palavra alguma. Puxou o quadril de Theo para baixo para encaixar-se melhor entre suas pernas, e partiu logo para a ação. A medida que bocas e línguas se aprofundavam e criavam ritmos próprios, Theo tinha cada vez mais dificuldade em manter o seu ritmo, abandonando aos poucos a sua parte no trato. Sam encheu-se ainda mais de tesão e energia ao perceber que era a causa disso, lhe fazia oral com uma volúpia nunca vista antes, trazendo Theo para o já imaginado orgasmo prolongado, repleto de gemidos nada tímidos.

A garota de olhos elétricos despencou sobre o corpo abaixo de si, ainda com as mãos e dedos esmagando o lençol, buscando-se em algum lugar ali dentro de si. Sam era só alegria e sorrisos. Um tempinho depois, já recomposta, Theo subiu de mansinho, na direção do beijo arteiro que a aguardava.

– Me desculpe. – Theo pediu, num suspiro em seu pescoço.

– Desculpar? Você me fez a mulher mais feliz do mundo agora. – Sam brincava, mexendo em seu cabelo.

– Gostou da brincadeira nova? – Theo perguntou já com os lábios se roçando.

– Eu amei – Sam disse com empolgação. – E de quebra tive uma visão privilegiada.

– Boba. – Theo riu e bateu em seu ombro.

– Acho que nunca te disse isso, mas você precisa saber.

– O que?

– Você é tão gostosa, Theodora. – Sam confidenciou baixinho, Theo riu.

– Por falar em gostosa, ainda quero provar você de várias outras formas.

– Mais do que já fizemos?

– Muito mais. – Theo finalizou a frase a beijando, o beijo era como um vício nunca saciado.

– Pode ser hoje? – Sam disse após o beijo.

– Quer mais?

– Quero, estou fervendo de desejo por você. – Sam disse já correndo as mãos por suas nádegas e uma voz maliciosamente baixa. – Me dá de novo?

– Dou quantas vezes você quiser, sou toda sua…

Deitada em sua larga cama, Michelle ampliava um pouco mais a tela de seu comunicador, o qual assistia compenetrada.

– É isso aí soldado, hoje você está ganhando pontos comigo, se saiu muito bem no 69. – Michelle murmurou para si, ajeitou-se nos travesseiros, e continuou assistindo as câmeras internas do quarto de visitas.

***

No dia seguinte, já no aeroporto, Theo tinha dificuldades em permitir que sua soldado voltasse para a Zona Morta, a abraçava firmemente com a cabeça enfiada em seu pescoço, o boné azul e branco fora virado para trás por Sam.

– Eu quero ir com você. – Theo se segurava para não chorar.

– Você não pode embarcar em avião militar, meu amor. – Sam também estava com o coração apertado.

– E nem tenho mais dinheiro para viajar para lá. – Suspirava entristecida

Sam inclinou-se para trás, para poder olhar em seus olhos.

– Passe o máximo de tempo possível no apartamento de Stef e Virginia, os ajudando com os processos, não só com o nosso. Ocupe seu tempo e os dez dias passarão mais rápido. E me prometa que vai continuar o tratamento com o Doutor Franco, você já melhorou tanto, continue fazendo tudo que ele pediu e tomando os remédios nas horas certas.

– Eu prometo.

– Quero ver você ainda melhor quando eu voltar.

– São dez dias, Sam. Eu vou morrer.

– Ninguém vai morrer. – Sam a beijou com as mãos em seu rosto. – Eu também queria poder ficar com você todos os dias, dormir e acordar com você, mas por enquanto é assim que as coisas serão.

– Volta pra mim, tá? – Finalmente as lágrimas surgiram.

– Volto sim. Estou levando você aqui comigo. – Sam disse apontando para o peito, enxugou o rosto dela e a abraçou novamente.

– Não vá…

– Por favor, se cuide. – Sam pediu.

Sam seguiu para o embarque, após um longo beijo com gosto de choro. Theo seguiu com Stefan para o apartamento que Virginia havia alugado para ambos, no carro emprestado por Letícia.

– Quanto drama, dez dias não matam ninguém. – Stefan provocou, já dirigindo pelas vias baixas de San Paolo.

– Disse o cara que estava chorando ontem no comunicador perguntando mil vezes para Virginia quando ela voltaria do Rio.

– Eu não estava chorando. E perguntei apenas duas vezes.

– Não zombe de minha dor, dez dias é tempo demais.

– Encherei você de trabalho, não se preocupe.

Após alguns segundos silenciosos, Theo indagou seu colega.

– Virginia já te contou o real motivo dela ter nos ajudado?

– Ela disse que foi para que o escritório dela fosse divulgado na mídia.

– Mas você sabe que tem mais, não sabe? Ela confessou isso, ela me disse que tinha algo mais e que não poderia me contar. Ela sabia dos clones!

Stefan deu uma olhadela em Theo, ele também tinha estas dúvidas e receios.

– Eu ainda não sei o que ela está escondendo, mas não acredito que seja algo que nos prejudique, não consigo imaginar que tudo isso seja apenas uma armação.

– Talvez tenha sido planejado para ser uma armação, mas ela acabou se apaixonando por você.

– E se até mesmo isso seja de mentira?

– O relacionamento de vocês? – Theo pausou para medir as palavras. – Se for realmente fingimento dela, a atuação está perfeita. Mas o julgamento na Sibéria já passou e ela continua com você, continua nos ajudando, quais os motivos que a prendem aqui? Além da chave de coxa que você dá nela todas as noites.

– Estava demorando para você fazer gracinha. – Stefan resmungou, Theo riu alto.

***

Naquela semana Virginia retornou do Rio, para alegria de Stefan. Porém os negócios em seu escritório não haviam aumentado como o esperado, e o plano de manter duas casas, uma no Rio e uma em San Paolo, poderia ficar insustentável financeiramente. Cada vez mais Stefan e Theo desejavam reaver seus bens, enquanto isso, procuravam emprego.

– Agora que estou de perna nova e recuperada estão ordenando que eu participe dos treinamentos. – Sam confidenciava para Theo na noite do oitavo dia, com a saudade já batendo forte em ambas.

– Mas são treinamentos externos?

– Não, internos, mas todos acabam tendo que participar de coisas externas depois, vão me enfiar em missões.

– Você não pode recusar?

– Não, seria insubordinação. – Sam suspirou desanimada, em sua cama. – Dizem que é desperdício manter uma Borg fazendo trabalhos burocráticos.

– Eu vou morrer do coração se você tiver que ir para as ruas, os rebeldes da Falange estão aterrorizando a Zona Morta.

– É justamente contra eles que estamos lutando por aqui, a demanda de trabalho agora é enorme, quando antes eram basicamente simulações e missões exploratórias.

– Você precisa sair daí, amor…

– Eu sei, não quero ter essa vida pela metade, fico o tempo todo com o coração apertado pensando em você, em nós…

– Eu ainda estou com seu gosto na minha boca. – Theo provocou.

– Qual gosto? – Sam riu.

– Aquele que apenas eu conheço.

– Esses dias com você foram tão gostosos… Sabe, eu fecho os olhos quando vou dormir e só consigo enxergar você nua na minha frente.

Theo não respondeu, Sam percebeu o silêncio e a chamou.

– Theo? Você ainda está aí?

– Estou, espere um instante.

– O que foi?

– Pronto, verifique seu comunicador.

Sam tomou o comunicador ao lado e viu uma foto que Theo havia acabado de enviar, uma selfie na cama, sem a camisa.

– Recebeu? – Theo perguntou.

– Uou.

– Gostou?

– Se gostei? Eu morro de tesão por você, mas meu ponto fraco são seus peitos, são maravilhosos.

– Matou a vontade por hoje.

– Só um pouquinho, só ficaria satisfeita se colocasse minha boca neles.

– Hum… Quer fazer sexo a distância?

– É impossível, tem um continente entre nós. – Sam respondeu.

– Eu sei, por isso é a distância. É apenas verbal.

– Como é isso? A gente fica trocando obscenidades? Como isso poderia dar certo?

– Mais ou menos. Ok, deixa pra lá, você é certinha demais.

– Não, eu quero tentar.

– Esquece, Samantha.

– Mas eu estou excitada.

– Então se vira, use seus dedinhos.

– Me manda outra foto dessas? Mas de corpo todo.

Theo riu, ainda estava deitada sem a camisa.

– Eu vou tirar uma foto no espelho então, tá bom? Espere um segundo.

– Ok.

Quando entrou no banheiro, ouviu batidas na porta do quarto, e a voz de Michelle a chamando.

– Já vai! – Gritou. – Amor, te ligo depois. Vai se virando aí sem a foto.

– Mas o que acon…

– Tem gente na porta, te ligo daqui a pouco.

Com sua inseparável muleta, foi até a cama e vestiu sua camisa, atendendo a porta.

– Estou atrapalhando algo? – A senadora perguntou, mesmo sabendo que estava.

– Não, não.

– Está tudo bem? Você parece ofegante.

– Estava me vestindo, e por incrível que pareça, é uma atividade cansativa para mim. – Riu.

– Eu vim convidar você para jantar comigo, me faz companhia?

– Vai jantar agora?

– Sim, Rita acabou de fazer um assado, me pareceu bastante apetitoso.

– Vou dar uma ligadinha para Sam e já estou indo. – Disse.

Sam demorou para atender, Theo já imaginava o motivo.

– Espero não ter atrapalhado sua diversão solitária. – Falou brincando.

– Não comecei ainda, estava esperando você ligar.

– Assista algum vídeo, vou jantar agora.

– Ãhn, ok então.

– Domingo você estará aqui, daí a gente faz de verdade. Várias vezes.

– Quem era na porta?

– Michelle, me chamando para jantar.

– Achei que ela estivesse viajando por conta da campanha.

– Também achei.

– Se ela te chamar para dormir no quarto dela, você vai aceitar?

– Só se a sobremesa estiver lá.

– Por que você nunca leva esse assunto a sério?

– Para que você se dê conta que não tem motivos para ter ciúmes, você já me dá uma trabalheira danada, imagine ter uma amante.

– Lembre-se também que sua memória é traiçoeira, você pode acabar me chamando de senadora na cama, eu não ficaria nada feliz. – Sam brincou.

– Obrigada por me avisar, vou dispensar minhas namoradinhas.

– Você nem deixa eu ter ciúmes.

– Deixo sim, só não espere que eu leve a sério. – Theo rebateu.

– Não é porque você não sente que eu não posso sentir.

– Quem disse que eu não sinto ciúmes de você? Se eu pegar você com outra eu como seu fígado, ouviu, primeira-tenente?

– Achei que você fosse moderninha.

– Minha modernidade acaba onde começa sua descaração. Você pensa que eu não sei que está cheio de soldadinhas bonitas ao seu redor? Só tenho uma coisa para dizer a você: juízo.

– Vai lá jantar com sua senadora particular.

– Vou mesmo, o assado deve estar esfriando. Continue sua masturbação aí.

– Essa conversa sobre a Michelle mandou meu tesão para o espaço.

– Ótimo, guarde para domingo. Boa noite, gatinha.

– Te amo, não esquece disso.

– Não esqueço nem com lapso de memória.

***

Sam chegou no domingo à noite, após um longo dia de treinamento em seu batalhão, na semana seguinte começaria nas missões externas, para desespero de Theo.

No início da noite de quarta, novamente o casal se via as voltas com a despedida, ainda na suíte da mansão de Michelle.

– Pelo visto terei que me acostumar com essa rotina. – Theo reclamou deitada sobre o peito da namorada, mexendo nos botões da camisa de flanela vermelha e preta que Sam usava.

– Eu também… Vou virar um passarinho de tanto voar para a Zona Morta.

– Estou tentando ver pelo lado positivo, poderia ser pior, você poderia estar numa prisão na Sibéria.

– Com direito a uma visita semanal de cinquenta minutos.

– E sem direito a visita íntima. – Theo ia dizendo. – Como foi passar quatro meses sem sexo?

– Quatro meses?

– O tempo que você ficou presa, quatro meses e 16 dias, para ser mais exata.

– Foi um filme de terror.

– Se virou sozinha?

– Algumas vezes, mas é complicado quando você divide a cela com outras pessoas, a privacidade naquele lugar é quase inexistente.

– Então não é nada mal a gente ter um quartinho emprestado para matar a saudade de dez em dez dias, não é mesmo?

– É o que temos no momento, então vamos aproveitar ao máximo. – Sam disse girando para cima dela.

– Que horas vamos para o aeroporto?

– Daqui quarenta minutos.

– Se importa de amarrotar sua roupa?

– Nem um pouco.

***

Naquela semana Theo conseguiu um emprego na faculdade onde estudara, fazendo manutenção em um dos laboratórios. Letícia havia a ajudado a conseguir aquela bolsa vespertina de meio período.

Saia geralmente pela manhã na direção do apartamento de Virginia e Stefan, e de lá seguia para o trabalho, onde ficava até as cinco. Nunca havia andando de metrô, trolbus ou aerobus em San Paolo, mas aprendeu a se virar em poucos dias.

Para sua segurança, andava com uma arma paralisadora na mochila, além de um rastreador de localização e uma pulseira de identificação, para os casos de apagão ou convulsão.

Na antevéspera do retorno de Sam, contava com animação sobre a primeira semana de trabalho.

– Eu fico feliz por você de certa forma ter voltado a lidar com a Medicina, e também por você estar gostando do serviço. – Sam dizia carinhosamente pelo comunicador.

– Sejamos realistas, eu nunca serei médica, não tenho condições de me formar em Medicina com esses problemas todos que tenho, nem seria nada prudente.

– Você já se conformou com isso?

– Não sei se estou conformada, mas já aceitei. Esse emprego me fez ver que tem outras formas de estar neste meio, posso tentar seguir pela área técnica, no máximo irei quebrar equipamentos e vidrarias com minhas crises.

– Quebrou algo essa semana?

– Só um Becker.

– Tomara que você continue quebrando apenas coisas de baixo valor.

– Não me preocupo com isso, na verdade não consigo tirar da cabeça essa missão que você vai se enfiar amanhã, vocês são loucos de invadir um assentamento de rebeldes.

– Ordens são ordens… Mas eu prometo não tentar bancar a heroína, vou ficar o máximo possível na retaguarda.

– Você está gostando dessa vida de soldado valente?

– Não, eu não quero mais esse tipo de trabalho, queria poder fazer algo mais humano, mais pacífico.

– De preferência perto de mim.

***

Na quarta à noite Sam viajou para San Paolo para curtir seus três dias de folga, a missão no dia anterior havia resultado em algumas mortes, mas a primeira-tenente conseguiu se manter longe do conflito.

Sexta à tarde Theo deixava seu laboratório na universidade, era longe da casa de Michelle, precisava de três transportes diferentes para voltar. Estava ansiosa para largar logo seu posto de trabalho e poder encontrar Sam, haviam combinado de sair para jantar mais tarde.

Teve a sensação de estar sendo seguida quando saiu pelas ruas na direção da estação de metrô, olhava ao redor e não encontrava nada suspeito.

A sensação perdurou durante todas as conduções que tomou, pensou que talvez fosse seu cérebro pregando alguma peça ou uma crise convulsiva chegando, por via das dúvidas resolveu fazer o último trajeto, num trolbus não muito cheio, com a mão dentro da mochila, segurando a pistola paralisadora.

– Eu fico com isso.

Theo se assustou com um braço invadindo sua mochila e retirando a arma, logo reconheceu a pessoa que sentara ao seu lado, era Mike.

– Por que você não consegue ficar longe de mim? – Theo reclamou, esforçando-se para não demonstrar seu pavor.

– Não é saudades, pode apostar. – O ex-major guardou a arma de choque dentro do casaco, e voltou a falar com a voz calma. – Comporte-se, só quero trocar umas palavrinhas.

– Lembre-se que você está num local público. – Theo abraçava sua mochila, tinha calafrios quando sentia o corpo de Mike encostando no seu naquele banco.

– A audiência do processo será na semana que vem, mas acho que isso você já sabe.

– Claro que sei, estamos confiantes que vamos ganhar, Sam inclusive tem acendido uma vela todos os dias pedindo por isso.

– Não acho isso nada prudente. E não me refiro a vela.

– Mike, não vamos recuar.

– Você está brincando com fogo, depois não diga que não avisei.

Theo arrepiou-se com a ameaça, milhares de coisas ruins passavam por sua cabeça. O que Mike poderia fazer ali dentro de um trolbus em movimento?

– Se for fazer algo comigo seja rápido, vou descer dentro de dois pontos.

– Não vou fazer nada com você, Sam que vai fazer.

Mike tirou algo de dentro do casaco, e entregou para Theo.

– O que é isso?

– Veja com seus próprios olhos, aproveite que você enxerga.

Eram fotos, Theo foi vendo uma por uma, sem acreditar no que via ali.

– Samantha enganou todo mundo, pelo visto enganou você também. – Ele ria da reação assustada de Theo.

– Deve ser montagem. – Nas fotos, Sam aparecia com Svetlana ao seu lado em várias situações dentro da prisão, algumas mais íntimas, como um beijo ao lado da quadra de basquete.

– Os boatos eram verdadeiros, até eu caí na lábia dela, eu nunca imaginei que ela fosse capaz de trair você e esconder tudo debaixo do tapete.

Theo suspirou com pesar, revendo as fotos. Já sentia um bolo em sua garganta, de angústia e decepção.

– Por que agora? – Disse com dificuldade.

– Porque meu pai me mandou esse presentinho agora, até então eu estava colocando minha mão no fogo pela Samantha. E acredito que você também tenha acabado de queimar sua mãozinha, não é mesmo? Ela mentiu para todos.

– Deve haver uma explicação… – Theo tentava entender o que havia de fato acontecido.

– Tenho certeza que ela terá uma boa mentirinha para te contar. Bom, tenho que descer. Pode ficar com as fotos, fiz questão de imprimir para você, pendure na parede do quarto, fica bem como decoração. – Mike levantou e colocou a mão em seu ombro. – Temos mais coisas reservadas para vocês, repense o processo, Claire está ficando sem paciência.

Mike desceu deixando Theo transtornada para trás, ainda olhando as fotos com tristeza. A cabeça começava a girar, não conseguia pensar de forma ordenada, estava arrasada. Percebeu que havia passado do seu ponto, correu para descer no próximo.

De pé na calçada, com a noite já cobrindo o céu, tentou organizar sua mente, precisava chegar em casa, temia ter algum colapso na rua. Guardou as fotos na mochila e saiu andando com sua muleta, chegando exausta na casa de Michelle, após uma caminhada de quase dois quilômetros. Parou em frente a porta do quarto, sabia que Sam estaria ali dentro a aguardando, talvez já pronta para o jantar mais tarde.

Fechou os olhos e respirou fundo.

 

Arquejar: v.i.: Respirar com dificuldade; ofegar, ansiar, arfar: arquejar após um grande esforço.

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