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Capítulo 67 – Alvorada

Capítulo 67 – Alvorada

 

Era uma noite de nevasca em Novosibirsk, o dia 16 de abril ficaria para trás dentro de alguns minutos, um dia que todos os presentes no pequeno apartamento gostariam de esquecer, juntamente dos últimos meses gelados.

Theo, Michelle, Fibi, Letícia, Daniela, Stefan, Virginia, Lindsay, Maritza, John e, pela primeira vez naquele lugar, Sam. Todos comemorando a soltura da soldado com pizza e espumante barato.

Sam tentava dar igual atenção a todos. Depois de quatro meses quase incomunicável, a curiosidade sobre sua temporada na prisão era grande. Perguntas sobre o cardápio da prisão, a estadia na solitária, os guardas, as colegas, as gangues, as inimigas, Sam relatava com paciência e simpatia.

Num momento de calmaria, Sam viu Theo indo até a cozinha e a seguiu, lhe abordou num susto.

– Perdeu o costume das minhas abordagens na cozinha? – Sam brincou, a abraçando por trás.

– Acho que desacostumei mesmo, por um segundo achei que era assombração.

– Nunca trouxe uma garota para cá? Hum? – Sam beijava seu pescoço. – Alguma menina bonitinha que conheceu no café?

– Trouxe algumas, mas elas se assustavam com minhas convulsões e iam embora.

– Espero que não tenham usado a cama onde vou dormir.

Theo virou-se, ficando cara a cara com sua namorada.

– Onde você pensa que vai dormir?

– Na sua cama.

– Não quero uma ex-prisioneira com cheiro de cadeia na minha cama.

– Eu vou tomar um banho com você.

– Só em San Paolo.

– Tá se fazendo de difícil? – Sam disse entre beijos em seu pescoço.

– Eu sou difícil. Você vai ter que me reconquistar.

Sam ergueu a cabeça e a fitou confusa.

– Sério?

– Claro que não, besta. Vem cá. – Theo trouxe seu rosto para perto e a beijou.

O beijo que tomava nuances volumosas fora interrompido pela entrada de Michelle.

– Desculpe, eu volto depois.

– Relaxa, senadora. – Theo disse soltando Sam. – Veio pegar algo?

– Guardanapos. Vocês têm?

– Aqui. – Theo pegou numa gaveta, lhe entregando.

– Obrigada. Sam, sua irmã está perguntando por você.

– Já estou indo.

Observaram a senadora partir e se entreolharam com um sorrisinho.

– Eu não vejo a hora de ficar a sós com você, Theodora. – Sam disse recostada no balcão da cozinha, com um sorriso malicioso.

– Por que a pressa? Me disseram que você tinha uma namoradinha dentro da prisão. – Theo caminhou devagar até ela, e traspassou seus braços por trás do seu pescoço.

– Inventaram esses boatos, mas não é verdade. – Respondeu nervosamente.

– Ok, só estava te provocando, oficial. – Theo lhe entregou alguns beijos lentos. – Eu sei que você teria me contado se fosse verdade.

– Teria. – Gaguejou.

Theo lhe deu um longo beijo.

– Agora volte para a sala, Lynn precisa de você. – Theo disse e saiu.

Meia hora depois Theo conversava com Virginia e Stefan sobre os compromissos para os dias seguintes, estava sentada no braço do sofá.

– Marquei a coletiva para amanhã às onze, assim poderemos descansar um pouco mais. – Virginia disse, teclando em seu comunicador.

– E depois? – Theo indagou.

– Janet pediu uma exclusiva com vocês no início da tarde, não pude negar, ela nos ajudou bastante.

– Oh Deus… – Theo esfregava o rosto.

– E uma entrada ao vivo no final da tarde, também para o canal de Janet.

– Ainda precisamos deles. – Stefan corroborou.

– E depois de amanhã?

– Vamos tirar o dia para resolver as coisas por aqui, pagar aluguel, luz, gás, devolver o apartamento…

– Me despedir de Dimitri.

– Também. E voltaremos para a Nova Capital no dia seguinte.

– Então ainda temos mais dois dias aqui nesse vale nevado? – Theo perguntou.

– Sim, apenas dois dias, e adeus Sibéria. – Stefan respondeu.

– Já contou para a Samantha que vocês irão morar temporariamente na casa de Michelle? – Virginia questionou.

– Não, depois eu falo.

– Ela está pagando todas as nossas passagens.

– Eu sei. – Theo baixou os olhos e observou com preocupação suas mãos trêmulas. – Michelle bancou muito mais do que eu gostaria.

– Saiba que ela precisará do seu rostinho estampando a campanha do candidato do partido dela. – Stefan comunicou.

– Eu nunca mais poderei negar nada para a senadora. – Theo balançava a cabeça.

– Depende. – Stefan a repreendeu.

– Eu preciso descansar um pouco lá dentro. – Disse já se levantando.

– Você está bem?

– É só um mal-estar, eu retorno daqui a pouco.

Theo seguiu as pressas para seu quarto, abriu afoitamente a gaveta ao lado da cama e tomou o kit com o medicamento para evitar convulsões. Preparava a injeção quando a convulsão se apoderou de seu corpo, derrubando o kit e caindo de bruços ao lado da cama.

Sam percebeu a ausência de sua namorada alguns minutos depois, e questionou a dupla de advogados.

– Ela disse que ia descansar um pouco. – Stefan respondeu.

– O que ela tinha?

– Disse que era um mal-estar.

– Qual é o quarto dela?

– A porta da esquerda.

Sam correu até o quarto e a encontrou no chão, havia vomitado e salivado bastante, uma pequena poça se formara no chão. A ergueu dali, colocando sobre cama.

– Theo? Fale comigo. – Dizia dando tapinhas sem eu rosto, mas ela continuava inconsciente.

Foi até o banheiro e molhou uma toalha de rosto, em seguida enxugou seu rosto e pescoço. Letícia e Michelle surgiram no quarto em seguida, preocupadas.

– O que houve? Foi convulsão ou ataque epilético? – Letícia disse já sentando na cama, ao lado de Theo.

– Ela tem epilepsia? – Sam perguntou.

– Agora tem. Mas isso me parece convulsão.

– Vou injetar isso que ela estava preparando. – Sam disse tomando todo o kit do chão.

– Não, essa é para evitar a convulsão, é tarde demais. Agora tem que ser essa. – Michelle disse e abriu uma gaveta dentro do armário, tomando um outro kit de lá.

– Isso, esse mesmo. – Letícia disse estendendo a mão para Michelle, alcançando o kit.

– Está tudo bem? – Dani entrou no quarto.

– Sim, outra convulsão, amanhã ela acorda. – Letícia respondeu.

– São frequentes? – Sam perguntou, estava sentada sobre cama, ao lado.

– Estão cada vez mais frequentes, Sam. – Michelle respondeu.

– Ela me prometeu fazer um checkup quando chegar em San Paolo. – Letícia disse, baixou sua calça e aplicou a injeção na coxa, onde várias outras marcas de agulha podiam ser vistas.

– Espero que Doutor Franco a atenda de graça… – Sam disse.

– Não se preocupe com isso, a saúde dela é por minha conta. – Michelle respondeu.

– Bom, não temos mais o que fazer. – Letícia disse e levantou da cama. – Só deixá-la dormir, que é o que faremos agora também, não é, amorzinho?

– Sim, estou morta, vamos dormir, por favor. – Dani disse a puxando pela mão e dando um beijo rápido.

– Vão dormir aqui? – Sam perguntou.

– Não, pegamos um quarto num hotel aqui pertinho. John e Maritza ficarão lá também, vamos em bando.

– Sam, amanhã matamos mais um pouco da saudade, tá bom? – Dani disse.

– Claro, peça para o pessoal na sala para irem dormir também, eu vou ficar aqui.

O casal despediu-se e saiu deixando Sam e Michelle no quarto.

– Coloque uma roupa mais confortável nela, Sam. – Michelle disse olhando para Theo.

– Sim. – Levantou-se olhando ao redor. – Será que tem roupas nessa cômoda?

– Ela guarda a roupa de dormir aqui. – Michelle disse já abrindo o armário e pegando uma muda de roupas.

– Obrigada.

– Eu vou deixar vocês à vontade.

– Espere. – Sam já desabotoava a camisa de Theo. – Por que você sabe onde ficam as coisas nesse quarto? Você dormiu aqui alguma vez?

– Algumas vezes. – Michelle respondeu de pé, de braços cruzados. – Quer ajuda?

– Quero. Levante o tronco dela, para que eu consiga tirar a camisa.

– Outras pessoas também dormiram aqui.  – Michelle dizia com sua voz calma e baixa. – Virginia, Letícia, até mesmo Stefan dividiu a cama com ela.

– Por que?

– Às vezes ela pedia, às vezes era para tomar conta após alguma convulsão ou crise epilética.

– Com que frequência ela está tendo essas coisas?

– Duas a três vezes por semana.

– Erga de novo. – Sam pediu e vestiu um moletom amarelo nela, por cima de uma camiseta que já trajava. – Ela pediu para você dormir aqui?

– Sim.

Sam lançou em Michelle um olhar desconfiado, e voltou a trocar a roupa de Theo.

– E nunca aconteceu absolutamente nada, fique tranquila. Theo é uma pessoa respeitosa. – Michelle respondeu as dúvidas que Sam não externou.

– Eu confio em Theo, mas não confio em você. – Sam disse já vestindo uma calça de flanela cinza nela.

– É algo que você precisa trabalhar. – Michelle respondeu com bom humor.

Sam se deu conta da grosseria, Michelle fora a pessoa que mais havia ajudado, não apenas financeiramente.

– Eu sei o quanto você tem nos ajudado, e agradeço muito, meu agradecimento é sincero, mas você sabe que nunca entenderei sua omissão no passado. – Sam falou.

– Se isso faz você se sentir melhor, saiba que me arrependo de algumas coisas.

– Não importa como me sinto, você poderia ter poupado sofrimento. E pense bem, provavelmente ela estaria com você agora, e não comigo.

– Ela me disse que não.

– Que não o que?

– Que não estaria comigo. Acho que ela teria conhecido você em algum outro momento.

– Então vocês já conversaram sobre isso?

– Sim, tivemos uma conversa esclarecedora na minha casa.

Sam, sentada na cama, apenas fitou Michelle.

– Vocês terão bastante tempo para colocar a conversa em dia. – Michelle disse descruzando os braços. – Acho que você deveria descansar, amanhã será um dia cheio.

– É o que farei agora.

– Sua mala está aqui no canto.

– Obrigada, senadora, acho que posso me virar agora.

Pela primeira vez naquele ano, Sam ficou a sós com Theo. Por um instante ficou por ali, sentada em posição de lótus sobre a cama, observando seu sono profundo enquanto afagava sua mão.

– Nem acredito que estou aqui com você, livre. – Disse num tom baixo, com semblante cansado e contente.

Tomou algumas roupas de sua mala e seguiu para um banho, onde regozijou-se com a água quente, luxo que sentiu uma falta imensa na prisão.

Finalmente o longo dia terminara, Sam levou poucos minutos para adormecer, em paz.

***

– A coletiva é as onze, por que você quer acordá-las agora, as nove? – Virginia questionava Stefan, ambos ainda na cama do quarto ao lado.

– Theo demora para se aprontar e comer.

– Stef, acabou a pressão, tente relaxar. – A advogada disse e aconchegou-se em seu peito, com sono. – Vamos dormir mais um pouquinho.

Quando Virginia começou a cochilar, Stefan voltou a falar, enquanto mexia em seus cabelos.

– Eu ainda não sei onde ficarei em San Paolo, enquanto não encontrar uma renda terei que ficar de favor na casa do meu pai no interior ou na casa da minha ex-esposa, preciso correr atrás disso o quanto antes.

– Eu pretendo alugar um apartamento em San Paolo, ficarei nessa ponte aérea com o Rio, e adoraria que você ficasse lá comigo.

– Você vai?

– Sim, podemos trabalhar juntos nos casos do meu escritório, que acha? Você pode trabalhar no processo contra Claire e também nos meus casos, isso geraria uma renda para você.

– Eu não entendo quase nada de direito internacional.

– Stef, você nunca havia defendido uma militar de crimes de guerra, foi lá e venceu. Será uma honra ter você na minha equipe. E será maravilhoso ter você na minha cama.

Stefan riu, hábito raro no sisudo advogado.

– Eu ainda não faço ideia de quem você possa ser, mas não consigo mais imaginar minha vida sem você. – Ele disse.

– Então você aceita?

– Aceito, mas racharemos as despesas quando eu voltar a ter renda.

– Enquanto isso você me paga de outra forma. – Virginia disse.

– De outra forma, é? – Stefan perguntou com malícia.

– Sim, me deixando dormir mais um pouco.

Stefan a abraçou mais forte.

– Te dou meia hora.

***

Sam acordou no susto, e por um segundo acreditava ainda estar em seu beliche desconfortável da prisão. Percebeu uma claridade adentrando fracamente através das cortinas puídas e se deu conta de onde estava. Virou-se imediatamente para a esquerda e encontrou Theo ainda adormecida, virada para o lado de fora. A sensação de alívio e conforto correu rapidamente por todo seu corpo. Subiu mais um pouco o espesso edredom cinza e aproximou-se dela.

Sua vontade era de acordá-la afoitamente, entre beijos e um abraço, mas resistiu ao ímpeto. Theo dormia serenamente, com sua já conhecida respiração alta. A soldado voltou a deitar-se em seu lugar, fitando o teto com um sorrisinho satisfeito, se dando conta do quão afortunada era por estar ali, e por tê-la ali.

Voltou a virar-se na direção da namorada, recostou a testa em suas costas, fechou os olhos e fez algumas orações, finalizando com uma prece de agradecimento. Após um longo silêncio e um suspiro pesado, voltou a virar-se para cima, percebeu o comunicador de Theo ao seu lado, e teve uma ideia.

Como já havia feito tantas vezes, colocou para tocar a Gimnopédia Número 1 de Satie. O resultado não foi diferente, Theo acordou devagar e confusa, procurando de onde vinha a música.

– Sam? – Perguntou com estranhamento, ao vê-la deitada ao seu lado, com um sorrisinho arteiro.

– Bom dia, amor.

– É de verdade? – Theo virou-se, esticou a mão e tocou seu rosto.

– Eu?

– Você está aqui. – Se dava conta abrindo um sorriso e acariciando seu rosto.

Sam subiu o edredom até seus pescoços e correu para frente, a puxando para junto de seu corpo.

– Desacostumou, né? – Sam disse baixinho, quase a beijando.

– Mas eu acostumo rapidinho. – Theo correu sua mão para trás, e a beijou.

Era uma invasão de paz o que Sam sentia enquanto tinha o corpo quentinho de Theo colado ao seu, agregado à um beijo sem pressa e desbravador, algo simples e tão almejado em cada dia de encarceramento.

Quando se separaram, Theo a abraçou desejando que ela nunca mais saísse dali, do domínio de seus braços. Ouviu a voz meio rouqinha de Sam em seu ouvido e se derreteu.

– Feliz aniversário, amor.

– Obrigada pela melhor alvorada do ano. – Sorriu. – E por estar aqui comigo, foi exatamente esse o presente que pedi de aniversário.

– Como se sente? – Sam perguntou afastando-se um pouco, a encarando.

– Como uma idosa de 23 anos.

– Me refiro à sua saúde. Você teve uma convulsão ontem.

– Meio grogue, mas voltarei ao normal no decorrer do dia.

– Você me deu um susto, estava caída no chão, tinha uma poça abaixo da sua cabeça.

– Sua ideia de primeira noite comigo não era exatamente limpando meu vômito enquanto eu estava inconsciente, né? – Zombou.

– Não, não era. Mas só o que me importa é que passei uma noite inteira na sua cama, em liberdade, sem sentir frio, e com você ao meu lado. É por isso que hoje sou a mulher mais feliz do mundo.

– Você é tão boba. – Theo disse lhe afagando o rosto com o polegar.

– Já disse que te amo?

– Só quando eu era mais jovem.

– Te amo hoje e te amarei para sempre. Prometo acordar ao seu lado até o fim de nossos dias, mesmo que para isso eu precise fugir de uma cadeia, de um quartel ou de um continente.

– Que valentia, oficial.

– Eu estou falando sério, não vou deixar ninguém separar a gente.

– Ninguém vai separar, coloco esse planeta para girar o contrário se for preciso.

– E eu sei que você é capaz disso. – Sam sorriu.

– Você é o amor da minha vida, Samantha. Cada dia longe de você foi uma tortura, eu estava vivendo pela metade.

– Do que você mais sentiu falta?

– De você colocando seus pés gelados nos meus para esquentar, como está fazendo agora. – Theo disse séria, Sam gargalhou.

– Eu não aguento mais passar frio, amor. – Sam se aconchegou mais em Theo. – Era dia e noite sentindo frio, às vezes eu ficava desesperada, sentia meus ossos congelando, mas não tinha como me aquecer. Eu quero ficar aqui debaixo dessas cobertas com você até a hora de viajarmos de volta para casa.

– Bem que eu queria. – Theo respondeu lhe beijando a testa.

– Aqui é tão quentinho e gostoso.

– Temos compromissos.

– Aqui tem você.

– Lá fora também terá.

– Aqui tem apenas eu e você. Nós e uma cama. – Sam barganhava.

– Prometo não ter uma convulsão essa noite, e teremos bastante tempo para ficarmos aqui nesse casulo do amor de edredons.

– Aqui é o melhor lugar do mundo… – Sam murmurou de forma abafada.

– Com a cara enfiada nos meus peitos?

Sam apenas riu.

– Ah amor, que saudade de ouvir sua risada. – Theo abriu um sorriso.

– Posso ficar aqui?

– Pode.

Minutos depois, Sam voltou a falar.

– Ainda não vi sua tatuagem nova.

– Não viu quando trocou minha roupa?

– Não, nós colocamos a blusa por cima da camiseta que você já estava usando.

– Nós quem?

– Eu e Michelle.

– Michelle? Vocês duas trocaram minha roupa? Juntas?

– Ela me ajudou, você estava desmaiada.

– E porque ainda não fomos tragadas por um dilúvio?

– Andei praticando minha tolerância na prisão. – Sam rebateu.

– Quer ver?

– O que?

– A tatuagem.

– Você me mostraria agora?

– Sim, tire a cabeça daqui.

Theo baixou com os dedos as golas das duas blusas, mostrando parte da tatuagem.

– Assim não, quero ver por inteiro. Mostra, vai. – Sam pediu manhosa.

– Tá bom, saia de cima de mim.

Sam voltou a deitar-se ao seu lado, Theo montou no quadril dela.

– Você tem um minuto. – Theo disse e tirou camiseta e moletom, ficando apenas de sutiã.

– Uau. – Sam olhou alguns segundos para a caveira com asas, e fitou seus seios em seguida.

– A tatuagem está mais para cima, querida.

Sam riu encabulada.

– Tira também? – Sam pediu, com a mão sobre a lingerie dela.

Seu pedido foi atendido, e agora Theo estava sentada sobre ela com o dorso inteiramente nu. A recém liberta soldado passeava sua mão pelos seios de Theo, alternando com o contorno das linhas da tatuagem com seus dedos, sempre com um semblante de deleite estampado em seu rosto.

– Ficou linda, eu adorei. – Sam disse tocando a tatuagem.

– Vamos fazer uma igual em você?

– Que?

– É brincadeira. – Theo riu, tomou as mãos dela e colocou sobre seus seios.

– Eu senti uma falta danada deles. Sonhei várias vezes que estava fazendo exatamente isso, às vezes com a boca.

– Meu corpo reclamava a falta de suas mãos.

– Prometo compensar cada ausência. – Sam disse e desceu as mãos por seu tronco, abdome, cintura.

– Você já sabe o que eu quero de aniversário, não sabe? – Theo falou maliciosamente.

Antes que Sam respondesse, a porta se abriu, surgindo Stefan por ela.

– Stef! – Theo bradou, deitando-se ao lado de bruços rapidamente.

– A coletiva é dentro de uma hora, aprontem-se.

– Bom dia para você também, Stef. – Sam zombou, cobrindo as costas de Theo.

– Bom dia, meninas. – O advogado respondeu e saiu.

Theo virou a cabeça na direção da noiva, e riu.

– Ele sempre faz isso, ele sempre entra sem bater. Me desculpe.

– É um pecado ter que sair desse quarto agora, com uma garota seminua deitada ao meu lado.

– Qualquer dia desses eu tiro o resto para você. – Theo provocou com um beijo, e deixou a cama, indo na direção do banheiro.

 

Alvorada: s.f.: Crepúsculo matutino. Toque de cornetas, clarins e tambores, dado nos quartéis, ao amanhecer. Qualquer toque de música que se faz de madrugada.

 

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