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Capítulo 50 – Bonachão

Capítulo 50 – Bonachão

 

– Viu? Eu estava falando sério, ela não se parece com Michelle. – Theo brincava com Sam na visita de domingo, ao seu lado desta vez Virginia lhe fazia companhia.

– Não parece mesmo, Virginia não tem aquele sorrisinho arrogante nem a pose de dona do mundo. – Sam debochou.

– É que ela não gosta muito da senadora. – Theo explicava para a advogada.

– E a senadora parece não gostar muito de mim. – Virginia entrou na brincadeira, havia levado luvas azuis e amarelas de presente para Sam.

– Ela deve ter ficado com ciúmes. – Sam rebateu.

– Um ciúme desnecessário, convenhamos. – Virginia disse.

– Pronto, Sam achou alguém para engrossar o coro.

– Vamos falar de algo mais agradável. – Sam disse. – Como foi sua semana? Encontrou novamente aquele garoto, Dimitri?

– Sim, encontrei na cafeteria, parece um bom garoto, ele quer que eu vá conhecer a relojoaria onde trabalha, é ali perto.

– Ele mora por perto também?

– Não, mora próximo ao porto, do outro lado da cidade.

– É bom fazer amizades, socializar. Melhor agora que Meg está ao seu lado o tempo todo, estou com saudades dela.

– Só dela? – Theo perguntou manhosa.

– Eu estou com tanta saudade de você que quando sair daqui quero ficar pelo menos uma semana totalmente grudada no seu corpo, não vou largar nem para tomar banho.

– Virginia, tampe os ouvidos, por gentileza. – Theo pediu.

– Melhor, vou me despedir agora e as deixo a sós. Sam, foi um prazer conhecê-la, amanhã seu horário será comigo, ok?

– Prazer, Virginia. Até amanhã.

– Quando Stefan volta? – Theo perguntou para Sam após Virginia deixar a sala.

– Você me disse que ele volta na quarta-feira.

– Eu disse?

– Sim, há uns trinta minutos.

– Ah. Ok, quarta.

– O que você ia me falar antes?

– Não sei, o que eu ia te falar?

Sam riu.

– Eu não sei, meu amor, mas você pediu para ela tampar os ouvidos.

– Eu não lembro o que ia dizer. – Theo inclinou-se para frente, quase deitando sobre a mesa, e falou em voz baixa. – Mas aproveitando que Vivian já se foi, saiba que quando você sair daqui eu quero te levar para nossa casa em Ilhabela e fazer amor com você em todos os cômodos, inclusive na rede e na areia.

Sam riu, com as bochechas coradas.

– Theo, não temos mais essa casa, mas eu adoraria adaptar essa ideia para qualquer outro lugar onde possamos ter privacidade. E o nome dela é Virginia.

– Minha memória está péssima hoje, me desculpe. – Theo respondeu a fitando séria.

– Tudo bem, só não esqueça de mim, combinado?

– Você está entranhada na minha memória e no meu coração, fique tranquila.

Sam baixou o olhar para as duas mãos unidas sobre a mesa, a afagando com o polegar, voltou a falar após algum tempo.

– Quando eu puder sair daqui e retomar minha vida ao seu lado eu quero colocar uma pedra nisso tudo, quero eliminar essa experiência da minha vida, das nossas vidas. – Dizia tristemente. – Podemos esquecer que isso aconteceu?

– Vamos continuar de onde paramos, você lembra? Eu derrubando a tigela de morangos no chão da sala, fazendo planos para nosso futuro, filhos, casamento…

– Você ainda vai querer casar comigo? – Sam perguntou receosa.

– Por que não iria?

– E se algo ruim acontecesse? Se eu fizesse algo grave?

– Como o que?

– Não sei, é só minha insegurança aflorando. Eu tenho medo de perder você.

– Sam, eu estou aqui do outro lado do mundo lutando por você, acha mesmo que vou desistir de tudo de uma hora para outra?

– Não desista, não importa o que acontecer, por favor. – Samantha já estava de olhos marejados.

– Amor, você está tentando me contar alguma coisa?

– Eu só estou com medo disso tudo, se eu for condenada? Eu nunca mais sequer encostarei em você, quando eu penso nisso eu fico louca. – Já chorava.

– Então não pense nisso, foque nesses meses antes do julgamento, em se manter bem, principalmente sua saúde mental, ficar trancafiada mexe com nossas cabeças.

– Eu amo muito você.

Theo lhe devolveu um sorriso bobo.

– Nunca duvidei disso, nem por um segundo.

***

– Preciso ir ao banheiro, quem me leva? – Nira disse ao se levantar da mesa do refeitório, terminavam de jantar.

– Eu já terminei de comer, levo você. – Sam ofereceu-se.

Sam a conduzia pela mão, andando pelo corredor até os banheiros.

– Era assim que você guiava sua namorada? – A jovem cega perguntou.

– Sim, Theo não gostava de ser conduzida pelo braço, e assim eu tinha uma desculpa a mais para segurar a mão dela. – Sorriu.

– Como foi quando ela te enxergou?

– Ela disse que se apaixonou por mim de novo. – Respondeu orgulhosa.

– Sua voz muda quando você fala de Theo, ela deve ser uma menina especial.

– Para mim é a mais especial de todas.

Duas garotas de cabeças raspada se aproximaram delas na entrada do banheiro, cochicharam algo em russo entre elas.

– Hey, vocês duas. – A mais alta chamou, Sam olhou para trás e reconheceu que eram da grande gangue nazista, um movimento forte na Europa atual.

– O que vocês querem? – Sam perguntou.

– Acabar com essa pouca vergonha, nossa prisão não tolera essas aberrações.

– Do que estão falando?

– Vem, Rosie, vamos acabar com essas sapatas.

As duas voaram para cima delas, que foram confundidas com um casal por estarem de mãos dadas. Sam tentava proteger Nira dos chutes e socos que as duas grandalhonas desferiam

– Nira, fuja! – Sam a empurrou para o corredor.

– Sam!

– Fuja!

Sam mal conseguia revidar, tamanha a irascividade das agressões, quando finalmente conseguiu reagir e aplicar alguns socos, dois guardas surgiram separando a briga.

– Vamos matar todas! – A mais alta bradava, sendo presa pela cintura por um dos guardas.

Os guardas conversaram algo em russo, depois um deles bradou.

– Vocês duas, sumam daqui!

– Anda, vamos Rosie. – A menor a puxou pelo braço.

– Elas me atacaram do nada! – Sam reclamava para os guardas.

Novamente conversaram em russo, e concordaram com algo. Os dois seguraram Sam pelos braços e a levaram pelo corredor na direção de um outro pavilhão.

– O que estão fazendo? Hey, para onde estão me levando?

Eles não responderam, Sam passou a se debater mais.

– Elas bateram em nós! Eu não fiz nada!

De nada adiantou a resistência da soldado, foi atirada numa cela fria e vazia, num pavilhão distante.

– Solitária para arruaceiros, é regra da prisão. – Um deles falou antes de fechar a porta de aço.

– Eu não fiz nada! Elas me atacaram! – Sam bradava batendo na porta gelada, olhando pela abertura. O pequeno visor foi fechado pelo guarda, e o breu total cobriu a cela.

– Não me deixem aqui! Eu não fiz nada!

Sam ainda gritou em desespero por algum tempo, mas de nada adiantou. Foi assim que iniciou sua primeira temporada na solitária.

Além do frio, a escuridão completa fez com que Samantha passasse algumas horas encolhida num canto da cela, agarrada aos joelhos, se esforçando para não entrar em pânico. Não havia um colchonete, um cobertor, absolutamente nada. Pelo menos estava com seu pesado casaco negro para aplacar um pouco do frio.

Porém com o passar das horas o frio parecia aumentar, ou sua resistência diminuía. Sentia sono, deveria ser alguma hora alta da madrugada, mas não conseguia dormir naquelas condições desconfortáveis. Dizia para si mesma manter a calma, pois não havia nada a fazer a não ser esperar por um tempo indefinido.

Ainda sem dormir, viu a pequena janela no alto da porta se abrir, entrando a claridade. Uma abertura na base da porta também se abriu, e por ela entrou um prato com algum mingau amarelo e uma colher, deveria ser de manhã. Conseguiu enxergar o prato e comer graças à pequena janelinha que iluminava precariamente a cela.

Seu mantra de manter-se calma foi quebrado quando lembrou que era sábado, e que no dia seguinte receberia a visita de Theo. Precisava sair dali antes da visita.

Horas depois a porta se abriu e uma guarda a chamou.

– Vamos interna, hora do banho e das necessidades, me acompanhe. – Disse com forte sotaque.

– Depois poderei voltar para minha cela de sempre? – Sam colocou-se rapidamente de pé.

– Não, você volta para cá.

– Mas amanhã é dia de visitação, eu receberei minha visita?

– Não, internas na unidade de isolamento perdem todos os privilégios. Siga por aqui. – A guarda apontou.

– Espere, me colocaram aqui injustamente, eu não fiz nada, você precisa falar com alguém.

– Quando seu tempo punitivo terminar você sairá daqui, não se preocupe, nunca esquecemos ninguém aqui.

– Eu preciso sair hoje, você entendeu?

– Terei que chamar reforços para te levar ao banho? – Disse aumentando o tom da voz.

– Ok, eu vou tomar banho, mas preciso que alguém me tire daqui.

Tomou banho sozinha, sob a vigilância intimidadora da guarda. E retornou à sua cela silenciosa.

***

– Por que ainda não nos chamaram para entrar na sala de visitas? Todo mundo já entrou. – Theo reclamava com Stefan, sentados num banco no corredor do pavilhão de visitas.

– Isso está estranho, fique aqui, eu vou verificar.

Stefan voltou para o corredor com ares contrariados, Theo levantou-se prevendo que algo acontecera.

– Ela não vem?

– Não, não vem, está na solitária.

– Solitária? Não, isso não é possível, não pode ser, Stef. – Theo dizia com agitação.

– Entrou na sexta, não tem previsão de sair, não me falaram os motivos, apenas disseram várias vezes “se meteu em confusão”. Isso é um absurdo, Sam sabe que não pode se meter em confusão por causa do Coronel, ou ela foi estúpida ou estão cometendo uma injustiça.

– Temos que tirá-la de lá, precisamos falar com alguém, vamos tentar o General Turner.

– Eu perguntei por ele, o General não vem aos domingos, só amanhã à tarde.

– Não vou deixá-la numa solitária até amanhã, Stef.

– O que você quer que eu faça? Não conheço ninguém aqui.

– Ligue para Virginia, peça alguma sugestão para ela.

Stefan a encarou por alguns segundos.

– Você pensa rápido às vezes. – Disse e sacou o comunicador.

Após uma rápida conversa, Stefan e Theo saíram a passos apressados pelo corredor.

– Ok, e depois de protocolar a queixa? – Theo perguntava no caminho.

– Enviamos para um conhecido de Virginia que trabalha na ONU.

– Ela tem bons contatos.

– Ela explicou que não é alguém com poder, é apenas um funcionário administrativo, mas que ele pode encurtar o caminho até alguém com poder real.

Seguiram o orientado por Virginia, mas não havia muito o que fazer a não ser esperar. E a espera não trouxe nenhuma luz.

– Eu não vou voltar para Novo hoje, vou ficar no hotel com você. – Theo disse dentro do carro alugado, no estacionamento da prisão.

– Mesmo que ela saia da solitária, você só poderá visitá-la semana que vem.

Theo fitou em silêncio uma pequena caixa sobre suas pernas, estava cansada, com fome e com enorme frustração.

– O que tem na caixa?

– Uns chocolates que Sam gosta, Dimitri me ajudou a encontrar na cidade vizinha.

– Se permitirem eu a entrego amanhã.

– Espero que ela não esteja num lugar parecido com o buraco… – Theo murmurou baixinho.

– E o que seria o buraco?

– Um lugar ruim.

– Devem estar dando o mínimo de dignidade para ela, vou procurar informações sobre como é o isolamento desta prisão.

– E leve os chocolates.

– Vou te deixar na rodoviária, volte para Novo, lá você tem conforto e Meg.

***

No dia seguinte o General Turner recebeu uma ligação de um departamento da ONU na Rússia, e seguiu furioso para a sala do Coronel Philips. Após aplicar a bronca, recebeu a visita de Stefan, desta vez a conversa foi longa e próxima de um diálogo descontraído. O advogado saiu satisfeito da sala do General, com a promessa que Sam sairia da solitária ainda naquela tarde, e um pouco mais de intimidade com o velho militar.

– Alguém aqui dentro gosta de você. Venha.

A carcereira buscou Sam no final da tarde daquela segunda-feira, após 48 horas de solidão e desconforto findava sua temporada na solitária, graças à intervenção do General bonachão.

– Estou deixando a solitária em definitivo? – Sam perguntou desconfiada, ainda na porta.

– Sim, mas não volte a se meter em confusão.

– Não adianta nada contar a vocês que não tive culpa, não é mesmo? Minha palavra não vale nada aqui dentro… – Resmungou, estava de péssimo humor após passar frio e mal conseguir tirar cochilos deitada no concreto gelado, além da decepção de não ter visto Theo naquele final de semana.

– Tome um banho e vá jantar algo quentinho. – A guarda disse enquanto a conduzia pelo corredor até o pavilhão o qual Sam pertencia.

Ao chegar em sua cela tudo que desejava era subir em sua cama e ficar por lá por dias, mas estava com fome, tomou um banho rápido e seguiu para o refeitório, onde todas já jantavam.

Avistou a mesa onde suas colegas faziam suas refeições, aproximou-se e pediu silêncio com o dedo sobre o lábio, surpreendeu Nira pousando suas mãos em seus ombros.

– Quem é?

– Sou eu, mocinha. – Sam respondeu após um beijo rápido em sua cabeça.

– Que bom que você voltou. – Nira disse contente, segurando a mão de Sam em seu ombro.

– Boa noite, garotas. – Sam cumprimentou a mesa. – Espero que tenham deixado um pouco dessa sopa para mim.

– Você está bem? – Yulia perguntou.

– Sim, tirando minha coluna que está aos pedaços.

– Seja bem-vinda de volta, Samantha, vá buscar sua sopa e venha ficar conosco. – Sophia disse.

Estava servindo seu prato quando ouvir seu nome ao longe.

– Você voltou! – Svetlana se aproximava rapidamente, e abraçou com carinho.

– Svet, eu não tive culpa. – Sam tratou logo de se explicar.

– Eu sei que não, foram aquelas nazis burras que foram para cima de vocês, já estamos resolvendo isso. Como está?

– Foram os dias mais desconfortáveis da minha vida, mas está tudo em ordem agora.

– Venha sentar conosco. – Svetlana disse e tomou sua bandeja com o prato de sopa.

– Não, vou sentar com Sophia.

Svet mudou para um semblante sério.

– Foi por isso que você apanhou, Sam, porque você sempre se recusa a andar comigo, ninguém sabe que você é a minha garota, portanto intocável.

Sam precisava engolir o desconforto daquelas palavras e seguir adiante.

– Mas eu terei a noite inteira com você, ou acha que não irei requisitar que me aqueça essa noite para compensar o frio que tomei? – Sam disse com um sorriso conquistador, derretendo Svetlana, que sorria contente.

– Tá bom, vá lá com aquele povo estranho, vou pedir para Carla fazer um chá quente para você e levo para a cela.

***

– Dimitri, essa é Viviane e essa é Meg, são minhas amigas. – Theo as apresentava ao colega de café, era terça-feira e Michelle já havia deixado a cidade.

– Virginia. – A própria a corrigiu.

– Me desculpe, um dia gravarei essa informação. – Theo disse.

– E aquele moço engravatado, onde está?

– Não quis vir, ficou em casa trabalhando. De gravata, é claro.

– Ele sempre usa gravata? – Virginia a perguntou, já bebiam seus cafés numa das mesas próximas à vitrine.

– Stef gosta de trabalhar arrumadinho. – Theo zombou. – Mas tem dias que fica mais à vontade, ele está relaxando, já não usa mais o colete, eu vivo pegando em seu pé.

– E aquele grandalhão que fez você chorar? – Dimitri perguntou.

– Ah, aquele é um grande babaca, espero nunca mais vê-lo. – Theo respondeu.

– Ele esteve aqui ontem.

– Você o viu aqui?

– Sim, estava com uma moça loira.

Theo entreolhou Meg, pensaram a mesma coisa.

– Vocês acham que pode ser Claire? – Virginia perguntou.

– Espere. – Theo sacou o comunicador e mostrou a tela para o garoto após alguns toques. – Era essa mulher?

– Sim, mas estava de cabelos presos.

– Você ouviu alguma coisa da conversa deles?

– Não, eles estavam naquela mesa lá no fundo, e eu sempre sento aqui perto do vidro.

– Isso não é nada bom… – Virginia resmungou baixinho.

– Ah, lembrei de uma coisa estranha! – Dimitri disse.

– O que?

– Ela pediu café com menta. Quem gosta de café com menta? É horrível, tem gosto de spray para machucados. Ela é tão estranha quanto ele.

– Mas ela é muito mais esperta que ele. – Theo disse fitando Virginia.

– Posso pedir alguma medida cautelar de afastamento temporário, mas não acredito que esse casalzinho respeite algo do tipo. – A advogada disse.

– Mike respeitar alguma coisa? – Meg ia dizendo. – Eu vi do que esse homem foi capaz enquanto morava na mansão, ele não tem escrúpulos.

Theo passou seu braço sobre Meg, a abraçando.

– Meg me ajudou a expulsar Mike da nossa casa, bolamos um plano e eu não teria conseguido sem o apoio dela. – Theo contava com carinho.

– Sam é uma ótima garota, mas se dependesse dela Mike estaria na casa até hoje.

– É porque aquele canalha neutraliza a pobre, ele a intimidou desde a adolescência, Sam se torna impotente ao lado dele. – Theo explicava.

– Sam é sua namorada, não é? – Dimitri tentava entender a conversa.

– É sim, Dima, e aquele grandalhão que você viu comigo é o ex-noivo dela. Entende meu drama?

– Você precisa de guarda-costas, Theo.

– Eu não tenho dinheiro para isso.

– Eu posso ser seu guarda-costas.

Theo riu.

– Mas você trabalha na relojoaria do Harry.

– Posso trabalhar para você à noite.

– Vamos combinar o seguinte, você me protege enquanto eu estiver aqui no café, o que acha?

– Eu chego as 15:15.

– Eu sei, quando eu vier para cá será neste horário, para encontrar você. Como hoje.

– Posso proteger você daqueles dois homens?

– Que dois homens?

– Os que estão vindo na sua direção.

Theo virou-se para trás e viu dois homens se aproximando, um deles ergueu uma câmera e uma luz em seu rosto, o outro estendeu um pequeno microfone.

– Pode trocar uma palavrinha conosco? Não é sobre os vídeos.

– Sei, não é sobre os vídeos. – Theo respondeu jocosamente.

– O que você acha da sua namorada ter outra namorada na prisão?

Theo empalideceu e perdeu sua postura durona.

– Eu não caio mais nesse tipo de provocação, tenho mais de vinte anos de experiência em lidar com vocês. – Falou com nervosismo.

– Você não soube dos boatos? Está em todo lugar hoje.

Theo não lia notícias e evitava esse tipo de exposição desde que os vídeos vazaram.

– Provavelmente alguém cansou da histórias dos vídeos e inventou isso para roubar a cena, nem tudo que está na rede é verídico, sabiam disso?

– Então você desmente que Samantha tem um relacionamento com uma garota da máfia russa? Ou apenas não tem conhecimento? – O repórter provocou.

A situação estava a deixando com tonturas e a cabeça já doía, não queria acreditar naquele homem à sua frente, mas era impossível evitar uma aflição real que a derrubava sistemicamente.

– Vocês deveriam se envergonhar de inventar essas merdas, continuem a falar sobre meus vídeos, mas deixem Sam em paz. – Disse com raiva.

– Você não tem medo da Bratva? Dizem que é a facção mais violenta da Rússia.

– Se vocês não saírem agora da minha frente garanto que ambos terão traumatismo craniano causado pela minha muleta.

Dimitri levantou-se e empurrou grosseiramente os dois homens na direção da porta de saída, voltou com as bochechas vermelhas, qualquer coisa o deixava cheio de marcas vermelhas pelo rosto.

– Quer água? – O garoto disse, ainda de pé ao lado da mesa.

– Não, obrigada. – Theo tentava se recompor, mas sua respiração acelerada e as mãos trêmulas denunciavam o contrário.

– É mentira, Theo. Eles estão fazendo de tudo para ver você perdendo a cabeça. – Meg a acalmava. – Tome isso.

Meg sacou um comprimido de uma pequena bolsa, lhe entregando juntamente do seu copo de refrigerante.

– Eles querem espetáculo. – Virginia concordou.

– Vocês sabiam desses boatos? – Theo perguntou enfurecida.

– Sim, mas são apenas boatos fantasiosos, vamos perder tempo e foco se formos desmentir cada boato que surge. – Virginia respondeu.

– Por que Sam faria isso?

– Se você tem a proteção da Bratva, ninguém toca em você na prisão, nem os nazistas. – Dimitri disse.

– Mas ela não fez isso, Theo. – Virginia afirmou.

Theo apoiou os cotovelos na mesa, esfregando as têmporas, domava seu cérebro bagunçado.

– Melhor voltarmos, não acha? – Meg sugeriu.

– Será que ela se ofenderia se eu perguntasse sobre isso na próxima visita? – Theo indagou.

– Não sei, depende do estado emocional dela, que não faço ideia de como está. – Meg respondeu.

– Talvez você deva conversar com Stefan sobre isso, ele é a pessoa que tem mais contato com ela atualmente. – Virginia sugeriu.

 

Bonachão: adj. e s.m.: Que ou aquele que tem bondade natural, que é simples, ingênuo e paciente.

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comentários

Comments (4)

  1. Joana

    Cris já estou sem unhas!! Feliz ano novo, espero que vc volte mais inspirada em 2017 e menos malvada com nossas meninas😁 bjos

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    1. Schwinden (Post author)

      Voltei inspirada e querendo correr logo para o desfecho feliz!

      Reply
  2. Magda

    Cris mto obrigada por compartilhar generosamente seu talento conosco. Desejo um feliz natal e mto sucesso em 2017, merecidamente. Bjs

    Reply
    1. Schwinden (Post author)

      Magda, muito obrigada pela leitura e comentários!
      Que você tenha um 2017 cheio de conquistas e bons momentos!
      Bjos!

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