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Capítulo 49 – Slut shaming

Capítulo 49 – Slut shaming

 

Na noite daquela quarta-feira nebulosa eis que surge uma figura controversa em sua porta. Uma mulher de aparentes quarenta anos, cabelos loiros encaracolados, um cachecol multicolorido e luvas vermelhas.

– Você é advogada? Já temos advogado. – Theo tentou dispensá-la.

– Eu sei, Stefan é um ótimo profissional, mas vocês teriam alguns minutos para conversar? Acabei de chegar do Brasil.

Se entreolharam, Theo estendeu o braço orientando para que sentasse num dos sofás.

– Mesmo que você seja uma excelente advogada, não temos fundos, não podemos contratá-la, eu sinto muito. – Stefan disse.

– Não cobrarei nenhum centavo, eu quero realmente ajudar vocês e a Samantha.

– Ninguém faz isso por altruísmo, qual seu preço? – Theo perguntou.

– A fama. Vencendo esse caso meu nome estará nas manchetes, meu pequeno escritório será alçado para um novo patamar.

– Não tem nenhum glamour nesse caso, estamos matando um leão por dia aqui nessa cidade gelada, não acho que você terá o que procura. – Stefan falou.

– A imprensa no Brasil continua dando uma boa atenção a esse caso, todos os dias eu vejo pelo menos pequenas notas sobre isso nos noticiários. Mas irá explodir a medida que o dia do julgamento se aproximar.

– Estamos lidando com um caso atípico. – Stefan explicava. – São acusações numa corte militar, uma das acusações inclusive é um crime de guerra. Talvez você não saiba, mas por pressão dos órgãos reguladores, os crimes de guerra costumam ser punidos de maneira rigorosa e exemplar.

– Estes órgãos reguladores também costumam auxiliar nos casos onde há falsa acusação ou aparente injustiça, nesta mesma corte militar europeia um soldado foi absolvido de todas as 22 acusações após sofrerem forte pressão da ONU. Recentemente todo um pelotão foi absolvido das acusações de genocídio na Zona Morta, num quartel relativamente próximo ao que Samantha estava alocada. Temos uma lista extensa de jurisprudência no caso dela.

Novamente Theo e Stefan se entreolharam, impressionados com aquelas informações e a desenvoltura jurídica dela.

– Qual sua área de atuação? – Stefan perguntou.

– Direito internacional. Confesso que nosso escritório trabalha na maior parte do tempo com importação e exportação, mas já lidei com casos parecidos.

– Nosso caso é bastante complicado, Viviane. – Theo disse.

– Virginia. – Riu. – Eu estudei o caso, ao meu ver claramente foi movido por vingança, é defensável, temos tempo hábil para montar a defesa e encontrar boas testemunhas.

– Não sabemos se temos tempo hábil, não sabemos ainda a data do julgamento, estamos correndo. – Theo disse.

– O julgamento será dentro de 94 dias.

Ambos arregalaram os olhos para a advogada.

– Como você sabe?

– A data saiu hoje, eu estou acompanhando o caso, recebo notificações.

– Eu também recebo notificações. – Stefan disse. – Onde está meu comunicador?

– Como vou saber?

Foi até o quarto e trouxe seu comunicador em mãos, pesquisando algo na tela.

– A notificação chegou há cinco horas. – Se dava conta.

– Stef, você não pareou suas coisas com as telas desse apartamento por que?

– Para ter privacidade.

– Pois se conecte a tudo possível, para não perdermos outras informações importantes.

– Ok, ok.

– Então Sam ficará presa por mais três meses, aguardando o julgamento? Isso será uma eternidade! – Theo balançava a cabeça revoltada, com os cotovelos sobre os joelhos.

– Três meses é ótimo, Theo. Posso te chamar de Theo? – Virginia a tranquilizava. – O prazo costuma ser de cinco meses.

– Ela já está presa há mais de três semanas. E pode, pode sim.

– Eu acredito que a melhor abordagem neste caso seria provar que Sam não tem capacidade nem coragem para cometer tais atrocidades, temos que mostrar que ela foi mal orientada e que é incapaz de matar inocentes. – Virginia disse.

– É, essa é nossa linha também. – Stefan concordou.

– Gostariam de conversar sobre as possibilidades e estratégias para a defesa?

– Viviane, hoje tive um dia ruim, estou entupida de remédios, não estou com cabeça para conversar sobre isso. Até quando ficará na Sibéria?

– Se vocês permitirem, ficarei até o término do caso.

– É Virginia, Theo. Sua cabeça está cada vez mais bagunçada. – Stefan reclamou.

– Vem um escândalo por aí, talvez soframos assédio da imprensa nos próximos dias.

– Algo envolvendo a Samantha?

– Não, é algo meu.

– Podemos conversar sobre isso também. Almoçam comigo amanhã? Estou num hotel aqui perto.

– Veja só, não podemos ir dividindo nossas informações com uma estranha, então não iremos te prometer nada por enquanto.

– Eu compreendo, também teria certa reticência se fosse o oposto. Mas sugiro que pesquisem meu histórico e currículo, verão minha formação acadêmica e os casos que trabalhei nos últimos anos.

– Sempre trabalhou de forma autônoma?

– Não, no início da minha carreira trabalhei na Archer. Depois trabalhei em alguns escritórios de advocacia no Rio, até abrir o meu.

– Eu trabalhei quinze anos no jurídico da Archer, não lembro de você. – Stefan rebateu.

– Não trabalhava no jurídico, trabalhava no administrativo, mudei de área assim que me formei em Direito.

Stefan lançou um olhar de dúvidas para cima de Theo.

– Almoço aceito, amanhã te daremos uma posição. – Theo decretou e ergueu-se do sofá.

Após a saída da advogada, os dois passaram um bom tempo conjecturando e pesquisando sobre a visita inesperada.

– Tudo que ela contou bate. – Stefan disse, desligando a grande tela a frente.

– Inclusive o trabalho na Archer?

– Sim, trabalhou como assistente administrativa dos 19 aos 23 anos. Theo, ela tem mestrado em mediação de conflitos internacionais, ela é tudo que precisamos.

– Nenhum alarme está piscando na sua cabeça? Isso é bom demais para ser verdade, mesmo que ela esteja em busca da tal fama, tem algo mais aí.

– Como o que? Ela me parece uma pessoa idônea.

– Não sei, não sei. – Theo esfregou o rosto cansada. – Ela parece ser quem diz, mas tem outros interesses embaixo dessa benevolência, ela quer alguma outra coisa.

– Então vamos dispensá-la por causa das suas suspeitas?

***

– Bem-vinda ao time. – Theo lhe estendeu a mão sobre a mesa do restaurante.

Era sábado e os três almoçavam num restaurante simples no bairro. Virginia agora fazia parte da equipe de defesa de Sam, mas a envolveriam aos poucos.

– Eu agradeço a confiança, ajudarei de todas as formas possíveis, não apenas com a defesa.

– Sabe cozinhar? – Theo perguntou.

– Sei, não sou nenhuma chef, mas eu adoro. Por que?

– Por que não sabemos. – Stefan rebateu. – Qualquer comida que você queira preparar será melhor que essas massas congeladas que comemos todos os dias.

– Tudo bem. – Virginia sorriu. – O que mais?

– Amanhã vamos para Krasnoyarsk visitar a Sam, você pode ficar no apartamento enxotando qualquer curioso ou repórter que aparecer?

– Tem aparecido?

– Vai aparecer. Acho que poucos, porque estamos num lugar distante, mas vai acabar aparecendo alguém querendo registrar meu semblante devastado.

– E por qual motivo?

***

– Joguei basquete todos os dias nessa semana. – Sam contava animada para Theo na sala de visitas da prisão.

– Isso mesmo, vá treinando, lembre-se que você me deve uma partida de revanche.

– Basquete é bom porque aquece o corpo, essa prisão parece uma geladeira, todos os lugares são frios. E soube que tem um tal de freezer, uma cela sem telhado, onde jogam as detentas que querem matar de frio.

– Jesus… Na cela também faz frio? – Theo brincava com os dedos da namorada sobre a mesa.

– Faz, pelo menos tenho dois cobertores. E um gorro quentinho de lã.

– Você ficou bem com esse gorro.

– Obrigada por ter trazido, aquece minhas orelhas.

– Meu aquecedor de orelhas está fazendo muita falta.

– Qual?

– Você, amor. – Theo brincou.

– Não arranje outro aquecedor, ok?

– Acho que consigo esperar três meses.

Sam sorriu de leve, perguntou com cuidado.

– E essa tal advogada, além de boa profissional, como ela é?

– Você está perguntando fisicamente?

– Sim.

– Ela é loira, tem 42 anos, gosta de echarpes e acessórios coloridos e toma sorvete mesmo nesse frio. É uma pessoa agradável.

– Você gostou dela porque parece com Michelle?

– Ela não se parece com Michelle, nem fisicamente nem na personalidade, além de ter dez anos a menos que a senadora. Só tem o cabelo da mesma cor. E eu continuo com um pé atrás, não confio totalmente. Já nosso Stef aqui parece ter ficado caidinho por ela.

– Que absurdo, não sei de onde tirou isso. – Ele resmungou, ajeitando a gravata.

– Vocês estão percebendo o mesmo que eu? – Theo disse olhando discretamente ao redor.

– Eu já havia percebido, mas achei melhor não atrapalhar o namoro de vocês. – Stefan disse.

– O que é? – Sam perguntou, perdida.

– Estão nos olhando, mais do que o normal. Olhe na direção da porta, onde fica a guarda vigilante. Hoje tem pelo menos seis guardas por ali, e talvez eu esteja enganado, mas eles estão se revezando para vir aqui olhar para nós. – Stefan explicou.

– Então já estourou… – Theo disse num suspiro decepcionado.

– Talvez não.

– Stef, veja os semblantes curiosos deles, estão me olhando como uma atração de circo. E eu espero que você tenha percebido a referência na minha frase.

– Do que estão falando? – Sam perguntou ainda perdida.

– Se Sam não souber através de nós vai acabar sabendo através de alguém dentro da prisão, e não será de uma forma boa. – Stefan a incitou a contar.

– Não há motivos para você se preocupar, eu vou ficar bem.

– Com o que, Theo? Por Cristo, diga logo!

– Claire e Mike vazaram nessa noite vídeos internos do Circus. Eles queriam aquela tal informação, caso contrário espalhariam dezenas desses vídeos na rede.

– O que tem nesses vídeos?

– Isso que você está imaginando e temendo.

– Você?

– Infelizmente não sozinha.

Sam soltou sua mão para bravejar no tampo da mesa, com revolta.

– Que canalhas! – Sam disse alto, chamando ainda mais atenção do que já tinham. – Agora você está sendo exposta para o mundo inteiro nesses vídeos!

– Não havia escolha, Sam, eu não tinha como impedir.

– Talvez seja blefe deles.

– Eu assisti a um dos vídeos, não é blefe.

– Como você vai lidar com isso? – Sam subiu as duas mãos para cima da mesa, segurando a mão de Theo.

– Vou me esquivar o máximo que conseguir. – Disse com propriedade.

– E você assistiu? Como conseguiu ver assistir isso?

Theo travou, apenas olhava sua namorada à sua frente com um engasgo enorme tomando seu peito.

– Eu… – Baixou a cabeça e esfregou rapidamente os olhos. – Me senti um lixo.

– Não assista mais nada, tá bom?

Theo sacudiu a cabeça concordando.

– Desculpe não poder te proteger disso tudo, desculpe não poder estar do seu lado.

– Eu sinto tanto a sua falta, Sam… – Murmurou ainda cabisbaixa.

– Eu também… Tá faltando um pedaço de mim.

– E tudo piora à noite, quando fico sozinha com meus pensamentos, e com a saudade.  – Theo disse.

Sam não teve coragem de dizer que em algumas noites não dormia sozinha, apesar de sua companhia não preencher em nada a ausência de Theo. Sentiu uma culpa lhe queimando as entranhas.

A despedida sempre erodia um pouco da força delas, a ciência de que teriam mais uma semana inteira de afastamento pela frente era voraz.

– Não assista nenhum vídeo, não leia nem assista aos noticiários, não fale com a imprensa. – Sam orientava, já de pé. Desta vez as lágrimas não eram exclusividade de Sam.

– Pode deixar, oficial. E permaneça focada e longe das encrencas.

Da porta de saída do pavilhão até o carro no estacionamento foi possível contar quatro pessoas tirando fotos com seus comunicadores enquanto ela caminhava cabisbaixa.

Seguiram na mesma rotina, Theo voltava sozinha para casa, Stefan ficava num hotel barato para poder conversar com Sam no dia seguinte, no horário concedido aos advogados.

Ao chegar no apartamento ouviu uma música animada vindo da cozinha, pendurou seus casacos e encontrou Virginia preparando algo numa tigela.

– Olá, fez boa viagem? – Virginia perguntou.

– Que?

A advogada baixou o volume e refez a pergunta.

– Mais ou menos, é cansativo, é duplamente cansativo, Vitoria.

– Virginia.

– Desculpe. Eu vou deitar, minha cabeça parece que vai explodir.

– Não quer jantar? Você havia dito que chegava as onze, estou preparando uma janta para você, fica pronto em uns dez minutos.

Theo abriu um sorriso exausto.

– Aceito sim. – Sentou-se à mesa e deitou a cabeça sobre os braços.

– Como Samantha está?

– Sobrevivendo. Acho que aconteceu algo com ela, mas não quis me dizer.

– Por que acha isso?

– No início da visita ela estava estranha, parecia querer contar algo. Mas talvez seja apenas angústia por estar presa naquele lugar, ela é forte, mas ficar presa dia e noite no mesmo lugar é enlouquecedor.

– E você?

– O que tem?

– Como está lidando com tudo isso e ainda por cima essa corja te procurando?

– Não lidei com ninguém diretamente, só precisei lidar com olhares, risinhos e fotos.

– Quinze pessoas estiveram aqui hoje, eu contei.

– Quinze o que?

– Pareciam da imprensa, mas tentavam disfarçar. Expulsei todos, eles só iam embora quando me viam ligando para a polícia. São insistentes.

– Que inferno… – Disse por trás das mãos que cobriam o rosto.

– Daqui alguns dias eles somem, até lá os enxotarei com uma vassoura se for preciso.

***

Na manhã seguinte Theo acordou com tonturas e ainda dores de cabeça, ao sair do quarto encontrou a grande tela da sala exibindo dezenas de miniaturas dos seus vídeos vazados, Virginia parecia anotar algo sentada no sofá em frente.

Se aproximou devagar, olhava perturbada aquelas cenas congeladas e conseguia lembrar de quase todas, de quase todos os protagonistas. Aquela visão a atordoava a ponto de fraquejar suas pernas, quando caiu de joelhos Virginia percebeu sua presença e correu para socorrê-la.

– Você está bem? O que aconteceu?

– Me ajuda a ir para o quarto?

Virginia a ergueu em seu ombro, até a cama. A orientou a alcançar o kit na gaveta, lhe dando alguns comprimidos.

– Você vai ficar bem com esses remédios?

– Meu corpo vai.

– Me desculpe, eu não fazia ideia que você estava na sala.

– Por que estava vendo estes vídeos?

– Eu estava catalogando para pedir uma ordem judicial que criminalize o porte dessas imagens.

– Isso é possível?

– É sim, quero levar a lista ao fórum municipal ainda hoje, com a petição já redigida. Se o processo seguir para Moscou temos grandes chances.

– Você realmente entende dessas coisas, não é?

– Eu sou uma pessoa curiosa. – Virginia tomou sua mão. – Eu sinto muito por você ter passado por tudo isso, não consegui assistir quase nada, todos os vídeos são horríveis demais.

– Tente assistir o mínimo possível, não quero que sua percepção de mim mude.

– Não precisa ter essa preocupação, sempre tive uma ótima percepção sua.

– Você já me conhecia?

– Claro, você está na mídia desde que nasceu.

– E pessoalmente?

– Também, vi você nos corredores da Archer algumas vezes, possivelmente ainda usando fraldas. – Riu.

– Conheceu meu pai?

– Conheci sim. – Virginia mudou para um tom mais sério.

– Que azar. – Theo riu.

***

Repórteres e curiosos fizeram visitas e abordagens nos dias seguintes. A elaboração da defesa evoluía de forma mais rápida com a ajuda de Virginia. Na quinta-feira Stefan viajou para a Zona Morta, iria conversar com alguns ex-colegas de quartel de Sam, coletar informações e quem sabe algumas testemunhas favoráveis.

Na sexta-feira à noite Michelle chegou no apartamento, onde Theo e Virginia assistiam um filme na sala.

– Você adora fazer surpresas, senadora. – Theo a recepcionou contente.

– Tenho mais uma surpresa para você. – Michelle deu um passo para o lado e Theo logo reconheceu aquela figura estimada, era Meg.

– Tia Meg! – A abraçou demoradamente.

– Já que você não consegue se cuidar sozinha, trouxe a melhor de todas para cuidar de você. – Michelle dizia contente. – Ela vai cuidar da sua medicação e exercícios.

– Meg, você vai ficar?

– O tempo que você me aguentar, querida.

– Amanhã vou comprar uma cama para ela, hoje ela dorme na cama de Stefan. – Michelle disse.

– Vamos organizar isso direitinho, porque temos mais uma moradora.

As três mulheres entraram e na sala Virginia as aguardava de pé e com um sorriso.

– Vocês duas já se conhecem do nosso grupo online, agora pessoalmente. – Theo apresentava Virginia a Michelle.

Não passou desapercebido para Theo que Michelle não simpatizou com a advogada, apesar do tratamento polido que dispensara.

Após a janta, cuidaram da logística de quem-dorme-em-qual-lugar, o quarto de Stefan estava vago.

– Onde Virginia tem dormido? – Michelle perguntou.

– No quarto de Stefan, mas com o Stef aqui ela dorme nesse sofá cama da sala. – Theo respondeu.

– Eu durmo em qualquer lugar, não se preocupem comigo. – Meg disse.

– Hoje Meg pode ficar com o sofá da sala, quando Stef voltar a gente resolve. – Theo disse, querendo logo resolver a situação para ir dormir.

– Amanhã compro uma cama para Meg. – Michelle disse.

– Podem colocar a cama no meu quarto, assim Meg fica por perto. – Theo propôs.

– Acho melhor não. – Michelle aproximou-se de Theo que estava na porta do seu quarto. – Não acha melhor ter privacidade?

– Tá bom, colocamos na sala. Mas agora quero dormir, pelo amor de Deus, me deixem dormir. – Theo brincava dengosa.

– A gente se ajeita, boa noite. – Meg disse e tratou de arrumar o sofá.

– Amanhã resolvemos isso, e temos que ver o aluguel do carro também, para a visita no domingo. – Virginia lembrou.

– Não se preocupem com isso, tenho carro alugado aqui, posso levar vocês. – Michelle disse.

– Mas só deixam entrar duas pessoas.

– Eu fico aguardando do lado de fora. – Michelle falou.

– Resolvido, tenham uma boa noite, meninas. – Virginia despediu-se e fechou-se no quarto de Stefan.

Theo olhou para Michelle e perguntou num tom debochado.

– Deixa eu adivinhar: você vai dormir aqui.

– Posso? – Michelle devolveu o sorriso sorrateiro.

Theo riu.

– Vem.

Michelle deixava o banheiro já com suas roupas de dormir e encontrou Theo fitando vários remédios espalhados sobre a cama.

– Não sabe qual tomar agora? – A senadora perguntou.

– Eles são tão parecidos. Mas acho que já tomei tudo que precisava por hoje, amanhã me entendo com Meg.

– Quer que eu a chame?

– Não, acho que está mais ou menos certo. – Disse já atirando tudo dentro de uma maleta.

– Comprou travesseiros? – Michelle organizava seis travesseiros sobre a cama.

– Sim, quanto mais melhor. – Guardou a maleta e seguiu na direção de Michelle.

– E eu posso usar quantos?

– Um. – Disse e a abraçou. – Obrigada por trazer Meg, e por todo o resto.

Michelle correspondeu ao abraço de forma afetuosa, silenciosamente aproveitava o momento.

– Você precisa estar bem para poder dar suporte a Sam.

– Eu sei… – Theo disse ao se desprender do abraço.

– Por isso que vou levar você amanhã no supermercado e vamos comprar alimentos saudáveis.

– A senadora Michelle Martin num supermercado? – Theo disse se atirando na cama.

– É uma sensação maravilhosa, já tentou alguma vez?

Theo atirou um travesseiro nela.

– Ótimo, agora tenho dois travesseiros. – Zombou.

– Apague logo essa luz, quero dormir. – Theo resmungou.

– Como queira, madame.

Michelle ajeitou-se na cama, e voltou a falar.

– O que está achando dessa advogada?

– Por enquanto não tentou me matar nem nos aplicou nenhum golpe, estou gostando.

– Mas nunca confie totalmente, ok? Ainda não sabemos ao certo quem ela realmente é.

– Stefan já revirou a vida dela de ponta cabeça e não encontrou nada suspeita.

– Mesmo assim, todo cuidado é pouco.

– Está tudo correndo bem, além de boa profissional ela faz umas tortas sensacionais.

– Ela dormiu aqui com você alguma noite? – Michelle perguntou num tom cuidadoso.

– Não, não dormiu.

– Melhor deixá-la fora do seu quarto.

Theo riu.

– Você vetou Meg dormir aqui no quarto porque você quer privacidade, não é? – Disse enfatizando o ‘você’.

– Eu, você… Tanto faz.

– Quando crescer quero ter sua ousadia, senadora.

– Você já tem, só precisa lapidar. Ou alguém que lapide.

 

Slut shaming: Ing.: Slut shaming é o fenômeno em que as pessoas degradam ou ridicularizam uma mulher por que ela usa roupas apertadas ou reveladoras, gosta de sexo, faz muito sexo, por causa de algum rumor de que ela pratica atividades sexuais, ou se sofreu violência sexual.

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