Capítulo 47 – Recalcitrante

 

Sam entrou na nova cela com passos hesitantes carregando seus poucos pertences. Logo viu suas novas companheiras de cela, Svetlana e uma jovem loirinha também do grupo da máfia russa.

– Até que enfim, soldado. – Svetlana saltou de sua cama, a recepcionando.

– Isso não está certo, não podem me mudar de cela de acordo com a vontade de vocês. – Sam permanecia de pé na entrada da cela.

– Não há nada de ilegal aqui, fizemos a requisição e o vice-diretor acatou. Dê oi para a Mirna, sua nova colega de cafofo.

– Você também é dessa gangue?

– Samantha, devemos evitar essa palavra, nunca te avisaram? – Svetlana a repreendeu. – Sim, ela é do nosso grupo, trabalha na fábrica de tapetes.

– Trabalha? – Sam duvidou.

– Você acha que somos um bando de desocupadas malvadas, não é? Você não é melhor que ninguém, primeira tenente.

– Como sabe minha patente?

– Sabemos muitas coisas sobre você. – A garota de cabelos claros presos num rabo de cavalo alto disse rindo.

– Qual minha cama? – Sam disse na defensiva.

– A minha é claro.

Sam a fitou assustada.

– Relaxa, fique nessa cama acima da minha, a outra está quebrada. – Svetlana respondeu se divertindo. – Já liberei espaço para suas coisas nas prateleiras ali atrás.

– Obrigada. – Respondeu sisudamente, indo na direção do fundo da cela.

Na tarde do dia seguinte Sam retornou à cela faltando alguns minutos para a janta, passou o mínimo de tempo possível dentro da cela. Não cumprimentou nenhuma das duas internas e subiu para sua cama. Sentou-se recostada na parede e tomou seu caderno eletrônico de notas.

Assustou-se com Svetlana de pé à sua frente pousando os braços sobre seu colchão, a fitando.

– O que foi? – Sam perguntou temerosa.

– Quantos cobertores você tem?

– Tenho um só, se você tomar de mim vou morrer congelada nessa cela.

– Quer mais um? – Svetlana se abaixou e voltou com um cobertor dobrado.

Sam a encarou por alguns segundos.

– Não vai fazer falta?

– Não, ainda tenho dois.

– Eu aceito. – Sam largou seu caderno ao lado e tomou o cobertor de suas mãos. – Obrigada, Svetlana.

– Pode me chamar de Svet.

A sirene das cinco horas tocou, chamando todas para o jantar. Sam desceu da cama já seguindo na direção da porta.

– Hey, janta comigo? – Svet pediu. – Só não poderei te levar num restaurante bacana.

Sam apenas sinalizou afirmativamente com a cabeça.

– Posso conseguir um pão extra para você, o que acha? – A jovem interna ofereceu a Sam, no caminho para o refeitório.

– Escute, eu já lidei com gangues quando era militar, sei que vocês não fazem favores de forma gratuita, ainda não entendi o que você quer ou se isso é algum jogo de vocês.

Svetlana fechou suas feições e a impediu de continuar a caminhada, tocando em seu ombro.

– Estou tentando ter uma convivência agradável com você, mas eu não me importo nem um pouquinho de deixar isso tudo para lá e te violentar no meio da noite, se preferir que eu seja assim. – Ela esbravejou, com o orgulho ferido. – Posso te tratar como uma puta se quiser, porque isso você já é, só estou tentando fazer de uma forma que você se sinta menos puta.

– De um jeito ou de outro terei que deitar com você, não é?

– Essa é a única parte não negociável. – Svetlana riu com sarcasmo.

Ao chegar no refeitório Sam viu as mulheres do grupo deformado numa mesa, Svetlana falou próximo de seu ouvido.

– Quer sentar com as aleijadas? Pode ir, mas lembre-se que é na minha cela que passará a noite.

Sam virou-se para ela e falou num tom desafiador.

– Você nunca se perguntou por que fui aceita pelo grupo das deformadas?

– Elas aceitam qualquer uma.

– Não, elas só aceitam deformadas.

Aquilo deixou a jovem intrigada.

– Não, você não é como elas, não tem nada errado em você.

– Não reparou que tomo banho por último, quando o banheiro está quase vazio?

Svetlana se aproximou.

– Que merda você tem? Alguma doença?

– Você deveria ter verificado melhor o produto antes de ter me aceitado como namoradinha de cadeia. – Sam jogava com ela.

– Irina me garantiu que você não tem doenças, então não venha blefar para fugir de mim.

– Mais cedo ou mais tarde você saberá. – Sam disse e seguiu para a fila.

Svetlana foi atrás dela, e a segurou pelo braço.

– Você vai me mostrar agora.

– Aqui? Vai pegar mal para você.

Olhou para os lados, e soltou seu braço.

– Depois. – Ameaçou.

Sam jantou com Sophia e as outras garotas, sob a observação ostensiva do grupo Bratva.

– Dormiu essa noite com ela? – Yulia perguntou curiosa.

– Não. Ainda tenho esperanças que ela desista de mim.

– Precisamos arranjar algum outro interesse para ela. – Nira disse.

– Quem sabe carpintaria? – Yulia sugeriu.

– Não esse tipo de interesse, querida. – Sophia riu.

– Quem poderia me ajudar? Alguma outra gangue? Eu não quero me deitar com ela, não posso fazer isso. – Sam dizia agitada, balançando seu pão no ar.

– Você tem dinheiro? Quem sabe consiga comprar Irina. – Samira disse.

– Eu não tenho. Nós fomos roubadas, não tenho nada para barganhar com essa gangue. – Sam respondeu.

– Então tudo que posso falar para você agora é preserve-se. – Sophia falava com serenidade. – Faça o que Svetlana pedir, logo ela vai enjoar de você e pedirá uma nova garotinha para Irina.

Ao finalizar o jantar, Sam voltava sozinha para sua cela quando foi abordada por duas mulheres robustas, que a arrastaram para dentro de uma pequena sala cheia de baldes e esfregões. Empurravam contra a parede com força, pelos braços e ombros.

– Hey, hey, menos, ok? Não a machuquem. – Svetlana ordenou ao entrar na salinha juntamente de Irina. Trancaram a porta.

– Quer dizer que você está de segredinhos com a gente? – A morena de porte forte a indagou.

– Não, foi um mal-entendido. – Sam não resistia e tentava se manter calma.

– Por que as deformadas te aceitaram? – Irina a inquiriu.

– Porque não tenho a perna.

Todas as quatro mulheres olharam para baixo, na direção das pernas dela.

– Pois não é o que parece. – Svetlana comentou.

– Tirem a calça dela. – Irina ordenou.

– Não, não, espere! – Sam contestou. – Eu mostro, ok? Eu mostro. Bastava ter me pedido educadamente.

– Pare de enrolar, суkа

Sam ergueu a calça, exibindo a prótese mecânica metálica. Svetlana abaixou para olhar de perto.

– Que legal. – Disse com um sorrisinho de lado.

Sam suspirou decepcionada, sua última esperança de ser rejeitada pela garota evaporava-se.

– Quer trocar, Svet? Posso te dar aquela brasileira alta que você gostou, a Flávia. – Irina disse já demonstrando impaciência.

– Não, está tudo bem. Você não vai mais fazer esse tipo de gracinhas, não é, Sam?

– Não, não irei.

– Pelo menos essa te fode direito? – Irina perguntou, Svetlana olhou hesitante para Sam.

– Sim, a soldado é boa de cama, correu tudo bem. – Svet disse com determinação. – Peça para nossas meninas a protegerem, ela vai ficar conosco.

Irina se aproximou com o dedo em riste.

– Ficarei de olho em você, cyka, é bom se comportar senão te jogarei para as nazis.

– Vem, vamos para a cela, já tocou a primeira sirene. – Svetlana disse, conduzindo Sam pela mão.

Seguiram em silêncio, já próximas da cela Svetlana soltou a mão, estava com cara de poucos amigos.

– Obrigada. – Sam disse ao entrarem na cela, mas não houve resposta.

Sam subiu na cama e ficou observando a movimentação na cela. A outra garota estava deitada na cama com fones de ouvido, se balançava de leve, como no ritmo de alguma música. Svetlana escovou seus dentes e arrumou a cama.

– Por que ela me chama de cyka? O que é cika? – Sam tentou puxar assunto.

Svetlana enxugou o rosto, pendurou a toalha e se aproximou da cama.

– Vadia. – Disse e deitou-se em sua cama de baixo.

***

Na sexta-feira à tarde Michelle convidou Theo para um café, após passarem o dia trabalhando no apartamento em companhia de Fibi e Stefan.

– Não aguento mais ficar enfurnada aqui dentro, vamos lá, vamos tomar uns cinco cafés. – Theo disse animada, já vestindo seu casaco pesado vermelho.

Já no café duas quadras abaixo, conversavam descontraidamente em companhia de suas xícaras e pães, quando Theo percebeu a vitrine do outro lado da rua.

– O que foi? – Michelle perguntou intrigada. – Por que tanto olha o outro lado da rua?

– Tem um estúdio de tatuagem ali, está vendo? Não vejo a hora de voltar a me pintar. – Brincou.

– Não fez nenhuma depois que saiu do Circus?

– Não, ainda não.

– Quer conhecer esse estúdio aí da frente?

– Eu ficaria com água na boca, melhor eu escolher algo aos poucos e quando puder faço.

– O que você gostaria de fazer primeiramente?

Theo a fitou pensativa, com ares animados.

– Peito, aqui em cima, sabe? – Disse apontando para o espaço acima dos seios.

– O que desenharia?

– Uma caveira vermelha, com flores negras ao redor, como se fossem asas saindo da caveira.

Michelle arqueou as sobrancelhas, surpresa.

– Que ousado. Por que uma caveira?

– É meu jeito de lidar com a morte.

– Quer fazer hoje?

– Impossível, eu teria que deixar um órgão no estúdio.

– É meu presente atrasado de Natal, aceita?

Os olhos azuis brilharam arregalados.

– Você está falando sério?

– Podemos ir lá agora, se quiser.

Cinco horas depois voltaram para o apartamento, Theo tinha agora uma grande tatuagem vermelha e negra ornando todo seu peito, correu para o banheiro para se olhar no espelho, era toda sorrisos.

– Ficou incrível, ficou muito foda! – Theo dizia contente, Michelle recostou-se na porta do banheiro assistindo aquela euforia com satisfação.

– Ficou linda em você.

– Sam disse que vou virar um desenho animado. – Theo disse se divertindo.

– Tem todo meu apoio, quanto mais coloridinha melhor. – Riu.

O comunicador de Theo tocou, era o alarme de um dos remédios.

– Já era, esse acabou ontem. – Theo disse olhando a tela.

– Espere um minuto.

Michelle foi até a sala, e voltou ao banheiro com uma grande maleta metálica, colocando sobre o vaso.

– Fibi comprou todos da lista que você passou, com exceção de dois sedativos que não vendem aqui. Veja. – Abriu a tampa da maleta.

Theo olhou boquiaberta aquela variedade de remédios.

– Michelle… Você é a senadora mais legal que conheço, você é maravilhosa. – Theo dizia fitando a caixa.

– Bom, mesmo se hipoteticamente você conhecer todas as seis senadoras da Nova Capital, ainda é um grande elogio.

– Obrigada. – Theo a abraçou em frente a pia.

– Cuidado com a tatuagem.

– Opa, acho que te sujei.

– Não tem problema. – Michelle disse olhando um mancha de tinta preta na sua camisa.

– Vou tomar um banho, janta aqui antes de ir? – Theo disse.

– Posso passar minha última noite aqui?

– Você realmente tem que ir embora amanhã?

– Real e infelizmente sim. Domingo meu partido fará um almoço para os principais financiadores das nossas campanhas, seria bastante deselegante se eu faltasse.

– Mas você retorna algum dia?

– O mais breve que eu puder.

– Ok. – Theo assentiu com um sorrisinho.

– Você não respondeu minha pergunta.

– Qual?

– Posso dormir aqui?

– A cama do hotel não é infinitamente maior e mais confortável?

– É sim, mas não tenho sua companhia lá.

Theo riu, balançando a cabeça.

– Claro que pode dormir aqui, fique à vontade. Já que vai ficar aqui, hoje você faz alguma coisa para a janta, ok?

– Deixe comigo. Agora vá lavar essa obra de arte.

***

No dia seguinte, sábado, Michelle foi embora no meio da tarde, Theo voltou do aeroporto de taxi, sentindo-se um tanto entristecida pela ausência da senadora. Ao entrar no apartamento foi abordada por Stefan na sala, enquanto pendurava seu casaco ao lado da porta.

– Achei que embarcaria com ela. – Zombou sem tirar os olhos da tela em frente.

– Por que?

– Vocês não se desgrudavam.

– E isso te incomoda?

– A mim não.

Já zangada, Theo sentou no sofá ao lado dele, inclinada para frente.

– Não me recordo de ter autorizado você a se meter na minha vida pessoal. – Esbravejou.

– Autorizou no momento em que me tornei advogado de vocês duas. – Stefan largou seu comunicador.

– Ainda não entendi o que está te perturbando. Eu casei com você e não me recordo? Foi algum lapso meu?

– Essa mulher abusou de você por dois anos, dois anos! E nunca fez nada para te tirar daquela situação. Agora você a trata como se ela fosse alguma heroína, mesmo sabendo o que Sam acha dela.

– Tomou as dores da Sam? Foi isso? – Theo disse sorrindo.

– É impossível conversar sobre algo sério com você, continua com seu discurso de menina mimada quando é contrariada. – Stefan disse e levantou do sofá.

– Espere, sente aqui. – Theo pediu num tom amigável.

– Não quero ouvir desaforo de criança mimada.

– Você nunca vai entender a ligação que tenho com Michelle.

– Tente explicar, porque eu quero entender como você permite que sua abusadora durma na mesma cama.

– Ela é minha amiga agora, isso é tudo que desejo ter com ela, apenas amizade.

– Ah, Theo, você…

– Escute, eu sei que da parte dela talvez os interesses sejam diferentes, eu não sou tão idiota assim. Bom, só às vezes. Ela quer tudo que eu sei sobre as vacinas, ela quer isso para que o partido dela vença as eleições presidenciais, Michelle quer um escândalo nacional.

– Concordo. E quer ser sua amante.

Theo arregalou os olhos.

– Nunca ouvi vocês usando estes termos.

– Você sabe disso.

– Sei. Mais ou menos. Talvez não, talvez não exista esse tipo de interesse. Mas eu estaria preparada para isso.

– Preparada?

– Eu não seria pega de surpresa.

– Você ainda não explicou qual é a ligação que você tem com ela, não é uma simples e bela amizade, seu comportamento com Letícia é bem diferente.

Theo baixou a cabeça reunindo as palavras, e voltou a falar com certo desconforto.

– É segurança. Eu sei que é algo meio doentio, mas eu gosto da sensação de tê-la do meu lado, ninguém faz eu me sentir desse jeito, nem mesmo a Sam. – Falava olhando o tapete no chão. – No Circus eu nunca sabia o que viria pela frente na noite, poderia atender quinze homens e talvez meia dúzia fossem violentos, talvez algum fosse mais que violento. Mas quando eu estava com Michelle, eu sabia que ninguém me machucaria naquela noite, eu estava a salvo. E o agora… Isso é uma projeção do Circus, as ameaças mudaram, mas ela continua me dando essa sensação boa e morna de que ninguém me fará mal enquanto estiver com ela.

– Precisava ter dormido com ela?

– Eu só dividi a cama, Stef, ela sequer encostou em mim. E essas duas noites que dormi com Michelle foram as duas melhores noites que tive desde que Sam foi presa.

– Você vai contar amanhã para Sam sobre isso?

***

– Você vai contar amanhã para sua garota que arranjou uma namorada aqui? – Svetlana subiu no beliche onde Sam estava sentada lendo um papel.

– Ela continua sendo minha única namorada. – Sam respondeu rispidamente.

Svet sentou ao seu lado, também recostada na parede.

– É verdade. – Ela tirou o papel da mão dela de forma educada, pousando ao lado. Virou-se para Sam, que estava apreensiva, lhe beijou o pescoço, subiu devagar até a orelha, e sussurrou de forma provocativa. – Mas vamos mudar isso…

– Agora? – Sam disse gaguejando.

A jovem mafiosa afastou-se de Sam, sorria e se divertia com o pânico dela.

– Por que tem tanto medo de mim? – Perguntou ainda sorrindo, a fitando.

– Eu não quero trair minha namorada.

– E se você não tivesse namorada?

Sam não respondeu de imediato.

– Eu não sei.

– Seria um sacrifício ir para a cama comigo?

– Não.

– Você acha que sou algum tipo de estupradora de mulheres?

– Não, não me parece.

– Por que você acha que escolhi você?

Sam baixou as sobrancelhas, perdida.

– Eu não sei.

Svetlana riu e desceu do beliche, saindo da cela.

***

Naquele domingo Mike não apareceu na penitenciária de segurança média, para alívio de Theo, que teve 50 minutos inteiros com Sam. A conversa dessa vez foi mais calma, Sam não mencionou nada sobre Svetlana.

– Ah, esqueci de te contar a novidade! – Theo dizia eufórica.

– Qual?

– Não vou conseguir mostrar aqui, mas te mostro por inteiro quando você sair. – Theo baixou a gola de sua blusa, mostrando uma parte da nova tatuagem.

– O que é? – Sam projetou-se para frente, curiosa.

– Não dá para ver, mas é uma caveira, e ao lado são rosas negras, olha aqui.

– Quando fez?

– Essa semana.

– Ficou ótima, amor. – Sam dizia sorridente.

– Gostou?

– Queria ver por inteiro, mas pelo que pude ver parece linda.

– Estava com tanta saudade de me tatuar…

– Eu sei, você vivia planejando as próximas.

– Provavelmente nas costas.

– Não quero quebrar o clima feliz, mas esse dinheiro não vai te fazer falta?

– Foi presente da Michelle, ela estava aqui essa semana.

Stefan apenas acompanhava a conversa, fitou Sam com tensão.

– Estava?

– Passou alguns dias aqui, nos deu uma boa ajuda financeira.

– E como ela está? – Sam perguntou polidamente.

– Vai ser avó, acredita? O filho engravidou a namorada, foi inesperado, mas ela está radiante. E ela desistiu da candidatura à presidência, vai tentar a reeleição no senado.

– Desistiu por que?

– Ela não se sente preparada para assumir isso agora, Michelle quer estar mais próxima da família.

– E… Ela queria falar sobre aquele assunto das vacinas? – Sam perguntou receosa, olhando rapidamente para Stefan.

– Não, não me perguntou nada. E saiba que já contei tudo para Stefan, então acho que não tenho mais segredos com nosso querido advogado. – Theo brincou com Stefan, o abraçando pelo ombro.

– Tudo?

– Menos nossas intimidades, então fique tranquila, ele não sabe da nossa mala dourada.

– Que mala dourada? – Stefan perguntou.

– Uma mala que pertence agora à Claire… – Sam resmungou.

– Eu escondi na garagem da casa de visitas, espero que ela nunca ache. Não tem nada valioso, Stef, são apenas objetos pessoais.

– Por falar em Claire. – Stefan começou. – Ela está quieta, Mike também, ele sequer veio aqui hoje, este silêncio está me deixando preocupado.

– Theo, você está tomando cuidado, não está? – Sam disse afagando a mão dela sobre a mesa. – Estão trancando a porta dia e noite?

– Sim, quando Stef não está enchendo o meu saco ele é um ótimo companheiro de apartamento.

– Continuem convivendo harmonicamente, ok? Não posso estar lá para apartar as brigas. – Sam brincou.

– E como está sua companheira de cela? Continua fazendo voto de silêncio e te ignorando? – Theo perguntou.

– Ãhn… Na verdade me mudaram de cela, estou com duas garotas da máfia russa.

– E isso não é perigoso? – Theo perguntou preocupada.

– Acho que não, se me comportar tenho a proteção delas, mas eu passo o dia inteiro fora da cela, com o grupo de Sophia ou com as garotas do basquete.

– Sophia é aquela senhora que não tem as pernas?

– Isso, eu gosto de jogar baralho com elas.

– E essas duas novas amigas de cela, como te tratam? Falam com você?

Sam parecia um pouco nervosa com o rumo da conversa.

– Uma trabalha na fábrica de tapetes e a outra…

A sirene anunciando o final da visita ressoou, interrompendo o diálogo.

– Mantenha-se segura, eu volto domingo que vem. – Theo puxou sua mão e a beijou. – Não esquece que te amo, ok?

Sam venceu o nó que fechava sua garganta e conseguiu se despedir.

– Não importa o que acontecer, eu te amo e você sempre será a única no meu coração.

Theo abriu um grande sorriso.

– Eu sei disso. – Falou convencida.

Sam retornou em lágrimas para sua cela, Theo voltou sozinha para Novo.

 

Recalcitrante: Adj.: Que possui capacidade de recalcitrar (resistir ou teimar); que resiste com teimosia; teimoso ou obstinado.

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comentários

4 thoughts on “Capítulo 47 – Recalcitrante

  1. Eu cheguei em casa e disse:Schwinden que me perdoe, mas não sei quando terei a capacidade de ler isso..cansada, vom preguiça, não querendo ler…Afinal abrir e disse vamos nps esforçar, mas com sias histórias nunca precisamos disso, sempre me leva pra outro mundo e nem me dou conta que terminou. ..sempre na melhor parte! !;).
    Capítulo muito bom!!Sam sempre falando demais!
    Gostei dessa svet, bem boazinha pra ser desse grupo ou comparada às outras.Acho até que a mulher essa vai gamar na Sam rs.Mas tô curiosa pra saber o que atraiu A Svet (gostei do nome) rs.
    Sam n chegou a contar pra Theo, vai dar problema, pq ela teve tempo antes.Ela n se ligue nao que Michele vai vim com tudo, aproveitando tudo qie tiver pra ter Theo ou as informações quw Thep tem…
    Espero ler o próximo capítulo mais pertinho de vcs!! rs.

    Um beijão

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