Capítulo 46 – Isogênico

Capítulo 46 – Isogênico

 

– Por que você parou o carro aqui, Stefan?

Estavam agora na região central de Krasnoyarsk, a nevasca não dava trégua. Stefan parou o carro nos fundos de um posto de recarga, desligou o motor e virou-se na direção de Theo.

– Estou com fome, vamos comer algo ali na frente, depois você volta para Novo e eu vou para o hotel, já que amanhã tenho dois compromissos na prisão.

– Ótimo, também estou morrendo de fome. – Theo disse e tentou abrir a porta, Stefan a travou.

– Não, primeiro você vai me contar tudo sobre essa história de matriz, o bife com batatas fritas pode esperar.

Theo não teve escolha, contou tudo por medo de perder seu maior aliado no momento.

Doze minutos depois.

– Um clone… Meu Deus, um clone… – Stefan fitava o centro do volante a sua frente, desnorteado.

– Você pode aumentar o aquecimento do carro? Estou com frio.

– Mas você… – Stefan ergueu a cabeça para fitá-la analiticamente. – Você é um ser humano?

– Eu não pareço um ser humano, por acaso? – Disse irritada.

– Androides também parecem…

– Então vamos esclarecer essa parte: eu sou um ser humano.

– Você não pode contar isso para ninguém, Theo. – Stefan tirou sua gravata e desabotoou os dois botões de cima da camisa.

– Entende minha reticência em te contar? Você tem agora nas mãos uma informação que pode destruir minha vida, guarde este segredo, por gentileza.

– Já se deu conta que você não é ninguém?

– Obrigada pelas palavras gentis.

– Perante a lei você não existe, não é uma cidadã, não tem direitos civis.

– Mais um motivo para você ficar de bico fechado, minha insignificância não pode chegar aos ouvidos da justiça.

– Eu estudei legislação e bioética na faculdade, você é considerada uma cobaia de laboratório, pode ser descartada sem ônus a ninguém.

– Assim você eleva minha autoestima, Stef.

– Se alguém te matar agora basta alegar eutanásia em cobaia, e pronto, está livre.

– Onde aumenta o aquecimento? Minha bunda está gelada. – Theo procurava os comandos no painel em frente.

– Isso nunca te preocupou?

– Não costumo sentir frio na minha bunda.

– Theodora, você entende que Claire e Mike vão até as últimas consequências para arrancar essa informação?

– Você entende que eles irão me enfiar num tubo de laboratório se descobrirem? Essa parte eu entendo muito bem, não estou disposta a fazer companhia para minhas irmãs. – Sorriu torto. – E isso é irônico, porque eu sempre quis ter irmãos.

Stefan bateu com sua testa no volante, deixando sua cabeça ali.

– No que eu fui me meter… – Stefan resmungou.

– O que eu ainda não entendo é por que Claire ficou louca por essa informação justamente agora, não sei o que ela pretende, alguém deve ter contado algo a ela.

– Quem tem essa informação da sexta matriz? – Stefan ergueu-se e perguntou.

Theo arregalou os olhos apavorada.

– Santo Cristo, estou muito mais ferrada do que imaginava. – Exclamou.

– Tem como tudo isso piorar?

– Elias sabe, ele sabe disso. – Coçou os olhos com força.

– Seu tio? Como ele se meteu nesse pandemônio?

– Ele tem interesse no Beta-E.

– Ele sabe que você é a sexta matriz?

– Sabe.

– Você contou?

– Não, meu pai contou para ele e para mim.

– E como você sabe disso? Seu pai te disse que havia contado para Elias?

– Não, o próprio Elias me disse que meu pai tinha contado naquele dia.

– Que dia?

– Stefan, você está me baratinando. – Sacudiu a cabeça confusa.

– Quando aconteceu isso tudo? Foi antes de você ir para o Circus? Elias te mantinha no Circus por causa disso?

– Não, ele descobriu depois que eu fugi de lá.

– Esse quebra cabeças não fecha, você esteve com seu pai depois que fugiu do Circus? Que eu saiba Benjamin morreu sem saber que você estava viva.

Silêncio.

– Benjamin sabia que você estava viva? – Stefan perguntou intrigado.

– Sabia. Quer dizer, ele descobriu depois que eu fugi.

– Você fugiu e manteve contato com Benjamin?

– Não.

– Não?

– Sim.

– Theo!

– O que foi?

– Por que você não voltou para casa depois que fugiu do Circus?

– Porque meu pai me mataria, ele me mandou para o Circus para que Elias me matasse, mas Elias preferiu me manter naquele buraco dando lucros para ele. E eu odeio falar sobre isso, Stef, eu odeio isso tudo, eu odeio isso tudo… – Theo falava com perturbação.

Silêncio.

– Posso fazer apenas mais uma pergunta? – Stefan voltou a falar.

– Vá em frente.

– Você tem algo a ver com a morte de Benjamin?

Theo ostentou um leve sorriso por alguns segundos.

– Ele era seu melhor amigo, não era? – Theo rebateu.

– Foi Sam que o matou, não foi?

– Não… – Voltou a ter um sorriso quase doentio.

– Foi você?

– Sabe qual a maior mágoa que guardo desse dia? Não enxergar. Ele não morreu na hora, ele implorou que eu o poupasse. Disse que eu era boa, que eu não faria isso. – Riu. – Boa… Não sou uma boa pessoa, Stef. Eu queria ter visto ele morrendo.

Stefan precisou de algum tempo para organizar aquilo tudo.

– Você matou Ben. – Refletiu.

– Ele me matou primeiro.

– Não consigo acreditar que ele tenha mandado Elias te matar, Benjamin te amava.

– Uma família amorosa. Elias deveria ter feito o ordenado… – Theo resmungou com tristeza na voz.

– Por que você não se matou no Circus?

– Essa é uma ótima pergunta, provavelmente todo mundo tem vontade de me perguntar isso quando me vê, pelo menos todos que sabem do meu passado.

– O mundo inteiro sabe, aquela entrevista com Mike teve quase 2 bilhões de visualizações.

– Até que você está bem informado das minhas desgraças, Stef, vou parar de te contar.

– Eu ajudei a limpar essa merda toda quando seu passado no Circus veio a público.

– Stefan disse um palavrão! – Theo riu.

Silêncio.

– Sua bunda ainda está gelada?

– Não, já aqueceu. Obrigada.

Silêncio.

– Eu sou uma pessoa, eu sou alguém, Stef. Por favor não me veja como uma cobaia de laboratório.

Silêncio.

– Você vai continuar nos ajudando? – Theo perguntou cheia de dedos.

– Por que eu não ajudaria um clone que matou meu melhor amigo?

– Porque você não vive mais sem alguém te chamando de Stef o tempo todo.

Stefan recostou a cabeça no banco do carro, com ares nostálgicos.

– Quando você era criança, pequena, você aparecia na minha sala e pedia para ver o parquinho. Eu pegava você no colo e levava até a janela, lá embaixo havia uma pracinha com alguns brinquedos, sempre cheia de crianças brincando. Você me pedia educadamente para te levar lá, naquela época já me chamava de Tio Stef. – Ambos riram. – Eu explicava que era perigoso ir até lá, mas que quando estivesse vazia te levaria.

– Você nunca me levou.

– Não. Mas levava você para tomar sorvete escondido do seu pai.

– Eu adorava aquela sorveteria, queria todos os sabores. E a praça nem existe mais.

– Theo, você foi o que eu tive de mais próximo de um filho.

– Mas você tem um filho.

– Que a mãe levou para a Europa quando tinha alguns meses, eu não participei da infância dele.

– Você só detestava a bola de basquete, né?

– Odiava. Escute, eu nunca vou te enxergar como uma cobaia, ou um clone. Não importa se havia uma original, e que existam cópias por aí, você é a Theodora.

Theo sorriu cabisbaixa.

– E foi bom você ter me contado tudo isso. – Stefan continuou. – Talvez eu expusesse você sem querer enquanto faço minhas investigações, agora sei que os rastros que levam para esse caminho devem ser apagados ou ignorados.

– Podemos pensar em dar pistas falsas para Claire.

– É uma boa ideia. E você precisa ter muito cuidado com sua segurança, porque Claire não sabe de nada disso, mas Elias sabe.

– Ele vai aparecer, eu sei que vai, eu estou sem meus 500 seguranças agora.

– Quando chegar em Novo hoje à noite vá direto para o apartamento, não abra a porta para ninguém, não saia sozinha hoje nem amanhã. Eu devo estar de volta terça pela manhã.

– Sim, senhor.

– E me faça um favor, tome seus remédios, todos.

– Vou tentar fazer uma agenda com alarmes. Podemos ir comer agora?

***

Após oito horas de viagem desconfortável, Theo chegou ao apartamento em Novosibirsk. Naquela noite teve uma convulsão enquanto dormia, acordou grogue, quase letárgica. Passou o dia seguinte se recuperando, trancafiada no apartamento fazendo pesquisas e falando com seus aliados remotamente.

À noite ficou tentada a sair e comer algo na cafeteria, mas acabou adormecendo no sofá da sala. Acordou sobressaltada com batidas na porta, era quase meia-noite, hesitou um pouco, mas resolveu atender, olhando pelo olho mágico digital.

– Olá, coloridinha. – Michelle disse sorridente.

– Michelle! – Theo a abraçou contente com a visita.

– Foi difícil encontrar você no meio desse gelo todo.

– Não para de nevar, é um saco. Venha, entre.

Michelle entrou no pequeno apartamento com seu porte elegante e uma mala mediana, olhando ao redor.

– Não acredito que você veio, e a campanha eleitoral?

– Tantas coisas aconteceram nessa virada de ano… Para mim e para você. Posso sentar?

– Claro. Fibi veio?

– Sim, está num hotel aqui perto, eu também irei para lá, mas não poderia dormir sem vir ver você, estou com saudades, e preocupada com tudo isso que você está passando, ainda mais sozinha aqui.

– Stef chega amanhã, por enquanto está tudo sob controle. Mas é bom ter visitas, Letícia passou a semana passada aqui, foi reconfortante. E você pode dormir no quarto de Stefan se quiser, está vazio essa noite.

– Quem sabe amanhã, mas não poderei ficar a semana toda aqui na Europa, ficarei até sábado provavelmente.

– Seu partido não vai te matar?

– Eu desisti da candidatura, Theo. – Michelle a pegou de surpresa.

– Mas… Não era seu sonho? Se candidatar à presidência?

– Percebi que não é um sonho para agora, ontem nas primárias eu abri mão de concorrer com o líder do partido, ele será um bom candidato, tem ótimas chances.

– E você?

– Tentarei a reeleição como senadora, está de bom tamanho.

– Que indelicadeza minha, quer beber ou comer algo? – Theo disse se erguendo do sofá com ajuda da muleta. – Eu estava juntando forças para ir para a cozinha preparar algo para comer.

– Não se incomode comigo, pedirei algo no hotel. E você estava dormindo quando cheguei, não estava?

– Adormeci de tanta fome. – Theo riu e seguiu para a cozinha.

Michelle tirou o casaco e a seguiu até a cozinha, recostando-se numa bancada.

– Café e sanduíche, me acompanha? – Theo a convidou já preparando os cafés.

– Claro.

– E então, senadora, o que a fez mudar de ideia?

– 2121 foi um ano intenso, me fez repensar algumas coisas, prioridades, sabe?

– Incrível como prioridades mudam tão rapidamente.

– É uma questão de necessidade, do que precisamos agora.

– Você é intolerante a lactose, não é? Vou usar esse outro queijo.

– Sim, você se recorda disso? – Michelle perguntou com um sorrisinho contente.

– Minha cabeça funciona de formas misteriosas. – Disse fitando o interior da geladeira. – E quais as prioridades da poderosa senadora Michelle Martin agora?

– Minha vida pessoal, basicamente. Quero fazer parte da vida das pessoas que me importam.

– Hum, que nobre da sua parte. Por isso passou o final de ano com sua família e longe do comunicador?

– Sim, mudei os rumos da minha agenda. Richard vai ser pai.

– Seu filho? – Theo a olhou pasmada. – Quantos anos ele tem?

– Acabou de completar 19, parece que um acidente de percurso me tornará avó antes do imaginado. – Riu.

– Vovó Michelle! – Zombou.

– Quero fazer parte disso, estar perto dos meus filhos, Richard e Catherine. Quero estar ao lado de quem eu amo, família, amigos… Quero estar mais perto de você também.

– Venha, sente-se. – Theo a chamou à mesa.

– O que tem aqui dentro? – Michelle disse erguendo uma fatia do sanduíche.

– Acho que é atum com algum creme.

– Acha?

– Foi Stefan que comprou, me pareceu atum. – Mordeu seu sanduíche e voltou a falar. – Então não foi pelo segredinho das vacinas que você veio para a Sibéria?

– Foi isso que pensou?

– Eu compreenderia, a campanha vai começar essa semana.

– Eu reorganizei minha agenda para poder ficar uns dias perto de você, trabalhando remotamente do hotel.

– Trabalhe aqui. Se quiser, é claro.

– Não sei se realmente é atum, mas é bom. – Michelle disse erguendo o sanduíche.

– Não estou sentindo direito o gosto e o cheiro das coisas, as coisas estão meio desreguladas aqui dentro.

– Não está seguindo a medicação?

– Baguncei tudo… A maioria já terminou.

– Você precisa cuidar melhor disso.

– Por enquanto não tive maiores problemas.

– Theo, isso pode te prejudicar de tal forma que impeça você de fazer coisas básicas, pode impedir que você ajude Sam.

A jovem a olhou pensativa enquanto mastigava.

– Você tem um bom ponto.

Após duas horas de conversa que se dividia entre assuntos sérios e descontraídos, ambas foram vencidas pelo cansaço.

– Seu hotel é aqui perto?

– Mais ou menos, é no Centro. Por que vocês escolheram morar nesse bairro? Não me pareceu muito seguro.

– Precisamos economizar.

– Vocês estão precisando de algo? Ou tem alguma reserva de Sam?

– Tudo que era dela passou para o pai dela, estamos vendendo nossas coisas por enquanto.

– Por ser ano eleitoral eu acabo gastando uma fortuna, mas posso ajudar com alguma coisa.

– Qualquer ajuda é bem-vinda, senadora.

– Compraremos todos os seus remédios amanhã, ok?

– Procurarei as prescrições no comunicador de Sam, acho que estão lá. Espero que estejam lá…

Michelle levantou do sofá e vestiu seu casaco.

– Durma aqui, é tarde. – Theo convidou e levantou-se também.

– Posso?

– Sim, venha.

Theo andou até a porta do quarto de Stefan, Michelle parou ao seu lado.

– Esse é o quarto de Stefan. – Theo apontou.

– Posso dormir no seu quarto?

– Comigo? – Theo a fitou confusa.

– Sim. Dormir.

Após hesitar um pouco, Theo respondeu insegura.

– Pode. Mas já aviso que sou espaçosa.

– Eu sei, eu lembro. – Michelle riu.

Minutos depois já estavam deitadas, Theo estava sonolenta e quase adormecida virada para fora da cama.

– Por que a luz do banheiro precisa ficar acesa? – Michelle perguntou.

– A porta está quase fechada.

– Eu sei, mas não podemos desligar?

– Eu não gosto de dormir no escuro total.

– Podemos comprar aquelas lâmpadas para crianças, e colocar do seu lado.

– Não sei se você está zombando, mas gostei da ideia.

Michelle riu.

– Eu já havia esquecido o quanto é bom discutir na cama com alguém. – Michelle brincou.

Theo virou-se para cima, desperta.

– Você está com alguém?

– Não, não tenho dado atenção a este setor da minha vida. E eu nem saberia por onde começar, sei que pessoas surgiriam apenas por interesse.

– Você é uma grande mulher. E inteligente. E atraente. Deve ter uma fila de bons pretendentes. Mas você sabe disso, eu já te falei várias vezes.

– E você sempre foi boa em fazer eu me sentir melhor.

– Você está em busca de um novo casamento de aparências, como o que você manteve por vinte anos?

– Não, eu não me permitiria mais esse tipo de sacrifício. Eu quero uma mulher ao meu lado, mas não um enfeite ou alguém para esconder, quero um relacionamento pleno, de igual para igual.

– É bom ver você abrindo seu coração, você sempre mudava de assunto.

– Nada como finalmente me sentir resolvida, mesmo que tardiamente, aos cinquenta.

– E vovó! – Theo riu.

– E vovó.

– Vai conseguir dormir com essa claridade vinda do banheiro? – Theo perguntou.

– Com o cansaço que estou? Vou desmaiar assim que fechar os olhos.

– Está quentinha? Quer que eu aumente o aquecimento?

– Estou ótima, Theo. Obrigada por dividir seu quarto comigo.

Theo ergueu-se e deu um beijo rápido em sua testa.

– Durma. – E virou-se para o outro lado.

***

No meio da manhã seguinte, ambas acordaram no susto com Stefan adentrando o quarto sem bater, parou estático as observando, sem entender.

– Misericórdia, Stefan! Por que você não bate nessa maldita porta? – Theo resmungou irada.

– Só vim dizer que cheguei. E dar bom dia.

– Bom dia. – Michelle respondeu com a voz ainda arroucada.

– Achei que você não fosse mais cliente de Theo. – Stefan a indagou.

Theo atirou um copo plástico nele.

– E não sou, ela apenas aceitou dividir o quarto comigo para que eu não precisasse me deslocar até o hotel debaixo dessa nevasca. – Michelle respondeu polidamente.

Theo atirou uma jarra plástica nele.

– Precisa melhorar sua mira. – Ele zombou.

– Tchau, Stef! – Theo trovejou.

– Vou fazer café para nós. – Ele disse e saiu para a cozinha.

– Ele sempre faz isso… – Theo murmurou ao sair lentamente da cama.

Enquanto Michelle ainda tomava banho, Theo seguiu já pronta para a cozinha, encontrando Stefan tomando café, sentou-se com ele.

– Como foi ontem com Sam? – Theo o perguntou.

– Foi produtivo, como já havia lhe falado ontem à noite. Temos dezenas de nomes para investigar e conseguir relatos.

– Ela estava mais ferida que domingo?

– Não. Ela continua um tanto assustada, acho que está se dando conta da situação aos poucos, ela vai se adaptar.

– Ela é resiliente. – Theo disse enquanto bebia seu café.

– Engraçado, ontem durante nossa conversa uma das preocupações de Sam foi justamente que Michelle aproveitasse a ausência dela para se aproximar de você.

– Não é isto que está acontecendo, Michelle veio ajudar. – Diminuiu a voz –  Inclusive financeiramente, como você tanto queria.

– Ela ajudou você a dormir?

– Chega.

Stefan riu, deu o último gole em sua caneca.

– O cheiro deste café está primoroso, posso me juntar à vocês? – Michelle surgiu na cozinha, mesmo de jeans e uma camisa simples de botões continuava com uma aura de elegância.

– Claro, sente aqui. – Theo orientou.

– Prazer, Michelle. – Ela estendeu a mão para Stefan.

– O prazer é meu, senadora. Vou pegar uma caneca para você. – Stefan levantou e foi até o armário.

– Obrigada.

– Só tem a caneca que você comprou para Sam, pode ser essa?

Theo sabia que Stefan a estava provocando.

– Tem outras na prateleira de cima.

A tensão inicial no café foi dissipando no decorrer do dia, conversaram sobre o encontro que Stefan tivera com o diretor da prisão, o barrigudo General Turner.

– Ele evitou se comprometer de fato conosco, mas foi receptivo e me pareceu completamente diferente do Coronel Phillips, parece alguém sensato e justo. – Stefan narrou.

– Então vocês tem um aliado dentro da prisão, e um aliado de peso. – Michelle disse.

– Eu não me precipitaria em chamá-lo de aliado, mas com certeza é alguém que evitará que o Coronel faça mal a ela. – Stefan ponderou.

– Meu receio está nos dias em que ele se ausenta, o General costuma viajar com frequência.

– Vamos torcer para que o maldito ex-sogro de Sam a deixe em paz. – Theo disse.

***

Ainda naquela quarta-feira.

No retorno da janta, um pouco antes da sirene final tocar, uma carcereira apareceu na cela de Sam, lhe dando ordens.

– Samantha Cooper, pegue todas as suas coisas e me acompanhe.

Sam não reagiu, apenas a questionou.

– Para onde eu vou?

– Você vai trocar de cela. Junte suas coisas, leve o cobertor e o travesseiro também.

Ela fez o solicitado, seguindo em silêncio até outra ala do pavilhão de celas. Chegaram numa cela sem grades, no lugar havia uma parede de blocos e uma porta de ferro, que estava aberta.

– Esta é sua nova cela, é terminantemente proibido a troca de celas por conta própria. As regras e horários são os mesmos de antes. Divirta-se.

 

Isogênico: adj. Organismos que possuem a mesma constituição genética. Relativo a ou próprio de indivíduos geneticamente semelhantes em relação a determinados pares de genes; singênico.

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